meus óculos precisam de lentes

 meus óculos precisam de lentes


andei e não cheguei
a lugar algum

feito um caetano
há tantos anos
  perdi o lenço
os documentos
agora espero 
que o tempo vente

metabolizo poesia
e decerto não poderia
fazer diferente
não me leves a mal
meus óculos de grau
precisam de lentes

estive em busca de mim
e no fim
estive ausente
andei de frente para trás
andei de trás para frente

acho que sei
como funciona
o processo da mente
que agrega valor
e arquiva seus bytes
em rabiscos de amor
num beat eloquente

andei e não cheguei
a lugar algum

na última vez que veio ao sul
meu saudoso amigo raul
baixou no meu terreiro
bebeu da minha marafa
e ainda roubou meu isqueiro

está circunscrito
na estrofe inicial
e nas subsequentes
eu não vivo aflito
acho tudo normal
e me dou por contente

wasil sacharuk



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