récita III

 récita III 



015

um sussurro nasce
quando a solidão se torna festiva
quando o que caminha sobre nós
não pesa
 mas germina

tu vens assim
não como afirmação
mas como pergunta
que o corpo entende antes da boca

teu amor não é o meu
é o que atravessa o rio seco
e encontra nas águas evaporadas
uma razão para continuar

wasil sacharuk 



016

as correntes que plantei nos meus pés
não te prendem
elas enraízam
da raiz brota a seiva que não me pertence
ainda que eu tenha acreditado
que eu era teu dono

teu corpo
sangue
tua essência repartida em postas
para alimentar meus demônios

o que vertes de ti não me pertence
mas cada gota que cai
carrega meu nome
minha culpa
minha impossibilidade
de amar sem destruir

wasil sacharuk 


017

na noite das constelações caladas
o grito ainda encontra ouvidos
és o rio manso rio que dobra os braços
e também és o fim que se faz início
a chuva chega fora de estação
temporã e serôdia
trazendo vida onde a vida era extinta
e reconheço a minha vastidão
feita do teu fragmento
que permanece em mim
pequeno e luminoso
como orquídea que brotou
em solo impossível

wasil sacharuk 


018

menina
ahhhh menina!
moras em mim
numa chama inquieta
como em mim
mora a sina
obsoleta e chinfrim
de querer ser poeta
teu poeta!

wasil sacharuk 




anjos tocam falácias

  anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...