navegantes do escuro
pairam estranhezas
ofuscantes tal lampião
navegantes do escuro
voam soturnas
até quando
despencarem manhãs
secarem ao sol
fluídos do amor
no velho lençol
sobrevoam estranhezas
sobre as cabeças
borboletas falenas
mais de cem
as conheces tão bem
e aos nossos pés
navegam desengonçadas
difusas crenças
esperamos tanto
pela noite alucinada
para dançar e dançar
divertir pirilampos
e tu danças
eu canto
alto
no céu
por ti
se aqui
ninguém entende
o que sentes
ninguém pensa
o que sinto
mas sabemos colorir
as amarguras impressas
nas paredes sem cor
e tu cantas
eu danço
alto
no céu
por ti
se aqui
não há lugar
para andar sem destino.
wasil sacharuk
Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras. Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude. O amor era descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade. Sacharuk recusava a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.
anjos tocam falácias
anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...
-
contar estrelas maravilhoso é contar estrelas mas onde estou vejo apenas uma quando o céu ajuda as quatro e trinta quando saio para o t...
-
vagos vinténs vaga vasta vivos vãos variante vacilo vácuo! ventos virão virarão vendavais valentes vertentes varrerão vilipêndios varrerão...
-
sentinela das tuas injúrias malditas arquitetei teu calabouço ofusquei a chama das velas nas oportunidades distintas que espreitei-te da ja...