quarta-feira, 29 de outubro de 2025

enxaqueca

 da lógica estrambótica incompreensiva das coisas

(enxaqueca)

entro e saio da metafísica
chego pertinho da ética
vislumbro o traçado na lógica
insana cruel estrambótica

logo
tuas manhas são coisas
que minha cabeça não toca
a ti são moedas de troca
terror versus racionalidade
colagem de alguns fragmentos
inventam qualquer verdade

eu queria um apelo holístico
sensível e também silogístico
mas só revirei sentimento
enxaqueca gastrite lamento
e a maldita incompreensão
escambo entre o sim e o não

eu queria ir além da razão
sobre-humano divino ou ético
com premissa e conclusão
um lampejo profético
de inconformismo dialético
a fé numa puta falácia

também queria eficácia
saber juntar os caquinhos
e enquanto vivo sozinho
lerei versos de alegria
talvez eu cometa a audácia
e risque uma nova poesia

wasil sacharuk







laranjeira

 laranjeira


laranjeira
brota verde faceira
semeada ao acaso
porém cresce pequena
cultivada em vaso

eu queria dar a ela
um reino do grande prado
para que vingasse inteira
ao som do silêncio absurdo
e um amor de sina campeira
para benzer os seus frutos

wasil sacharuk



murchaflor

  murchaflor

faço da estranha energia 
arrebentações de poesia
pouco de rima cercada de mágoa
sem cartola, coelho e brilhos
(troco o país das maravilhas)
pela solitude da minha ilha)
pouco de terra cercada de água
e finco a bandeira do exílio

meu cansaço de murchaflor
floresce do broto dos medos
desconheço como esquecê-los
e lograr teus doces desvelos

entre icebergs e folguedos
entendo os riscos do amor
cruzo do abismo ao esplendor
em busca dos meus arremedos

faço implodir meus castelos
arranco a raiz dos cabelos
a caneta presa entre os dedos
rabisca uma história sem cor

meu cansaço esfria o calor
e não faz detonar os levedos
dos olhos derramam colírios
a lavar esquizoides delírios

meus versos se viram em enredos
apartados de algum narrador
minha canção diluída na dor
do eco dos teus rochedos

wasil sacharuk





murchaflor

  dores de toda gente 


vi pela janela aberta
os nós do cotidiano
a natureza morta
para o deleite humano
 vi pelas grades tortas
semblantes indiferentes
cabeças girando tontas
dores de toda gente

haviam razões incertas
os mais tolos enganos
pessoas andando lentas
ratos saindo dos canos
crianças correndo soltas
em busca dos pais ausentes
cães mijando em volta
dores de toda gente

vi a carência farta
os pensamentos insanos
amor que mata e que corta
saúde restrita a planos
comportamentos psicopatas
ofertas de sexo quente
conversas vazias baratas 
dores de toda gente

as vidas resultam ingratas
e poderia ser diferente
são sempre tão inexatas
as dores de toda gente

wasil sacharuk





murchafor

 malva papoila


circunda leve 
a tromba-língua
ao botão da flor 
delicada

pétalas afastadas
e nos grãos
 falsos dentes 
falsos dedos
livres desvelos 
ao entorno

malva papoila
bailarina tão louca
e o poeta borboleta 
guarda na boca 
seu néctar

wasil sacharuk







flores n'água

 flores n'água


falsos amores bizarros
seduzidos e consumidos
nenhum deles foi caro
perecíveis tal flores
fugazes como os sabores
facilmente esquecidos
depois de provados

falsos amores frustrados
dilacerados rendidos
serviram como escravos
minha alcova de horrores
só ingênuos impostores
pretensiosos perigos
fatalmente enganados

convencidos e fascinados
tanto heróis ou bandidos
no fundo meros atores
canastrões amadores
 parasitas nocivos
e foram só patrocínio
de subvenções e agrados

as flores mantenho n'água
só para vê-las murchar
no vaso regado de mágoas
catando a luz pelo ar

wasil sacharuk










terça-feira, 28 de outubro de 2025

SACHARUK - MURCHAFLOR Full - poesia falada spoken word





SACHARUK - MURCHAFLOR

MURCHAFLOR já está no ar — e não sai da cabeça

Sabe aquele álbum que você dá play “só pra ver” e, quando percebe, já decorou os refrões? É o MURCHAFLOR. Camadas de voz, batidas que grudam e letras que apertam o peito na medida certa. É pop? É alternativo? É você no volume máximo. Melodias que abraçam, versos que cutucam e replay garantido.

Uma poética profunda, marcada por uma melancolia reflexiva e uma crítica social contundente através de metáforas urbanas e existenciais.

"As Dores de Toda a Gente" e a Estética do Desalento

A obra se inicia com uma poderosa metáfora da "janela aberta", que não oferece uma vista bucólica, mas sim os "nós do cotidiano". O eu lírico observa a realidade urbana como uma "natureza morta", onde o sofrimento humano é banalizado e consumido como espetáculo ("para o deleite humano").

🏙️ A letra é implacável ao descrever o cenário das cidades: cabeças tontas, semblantes indiferentes e a convivência grotesca entre "pessoas andando lentas" e "ratos saindo dos canos". Há uma denúncia clara da negligência afetiva e social, exemplificada nas "crianças correndo soltas em busca dos pais ausentes". O ambiente é de carência, pensamentos insanos e conversas "vazias e baratas", pintando um quadro de uma sociedade emocionalmente exausta e eticamente perdida.

🧠 O Embate Metafísico

Em um segundo momento, a poesia mergulha na crise intelectual do indivíduo. O autor transita entre a metafísica, a ética e a lógica, mas confessa que a realidade é "insana, cruel e estrambótica". Existe um desejo latente por um "apelo holístico" e "silogístico", uma busca por sentido que esbarra na dor física e emocional (enxaqueca, gastrite e incompreensão). A frase "a fé é uma falácia" resume o ceticismo diante de um mundo onde a verdade é inventada por "colagens de fragmentos".

🥀 Simbolismo e Desfecho

O uso de símbolos como a "laranjeira cultivada em vaso" ilustra o potencial humano podado pela estrutura social — algo que deveria ser gigante em um "grande prado", mas cresce pequeno e limitado.

O álbum termina com uma aceitação da solitude ("a solitude da minha ilha"), onde a poesia nasce não do brilho ou da mágica, mas da "estranha energia" das mágoas e do "broto dos medos".

🎯 O conteúdo é um convite ao inconformismo dialético. Não é uma obra de fácil digestão; ela obriga o espectador a encarar as "dores de toda a gente" que muitas vezes tentamos ignorar. É uma expressão artística crua sobre a dificuldade de manter a sanidade e a sensibilidade em um mundo que privilegia o "escambo entre o sim e o não" em vez da profundidade humana.

Assista agora e me diga qual faixa te pegou primeiro:

Poesia de WASIL SACHARUK

1. dores de toda gente
2. malva papoila
3. flores n'água
4. enxaqueca
5. laranjeira
6. murchaflor

#PoesiaContemporanea #CriticaSocial #MusicaIndependente #ReflexaoExistencial #ArteEBrasil #DoresDeTodaAGente #MelancoliaPoetica #FilosofiaUrbana #CulturaEArte #ResenhaMusical #poesiafalada #spokenword #wasilsacharuk #sacharuk #literatura #poesia



demais

 

demais

aquilo que julgam demais não me consome
pois sempre vem, me tenta e depois some
contudo, não fica atracado em meu cais

não devaneio em barracos ou catedrais
não temo as valentias ou bulas papais
encontrei minha bússula na felicidade

não, não desejo comprar nenhuma verdade
só atendo aos chamados da minha vontade
e só o que sinto considero demais...

tenho o foco naquilo que sinto
e só o que sinto para mim é demais

wasil sacharuk






signo

 

 signo 

busca a palavra que designa
quando morre toda a vida
quando seca a ferida

busca a palavra que é digna
quando a morte ressuscita
quando a primeira vez se grita

busca a palavra que resigna
quando a morte ou a vida
é tão contingente e iludida

busca a palavra - o signo
que representa a morte
que representa a vida
que sentencia a sorte
se vitoriosa ou perdida
que ruma a um novo norte
nova missão cumprida

busca a palavra da morte
busca a palavra da vida

wasil sacharuk



balanço das roupas

   

balanço das roupas

a disposição era torta
contemporânea instalação
exposta em qualquer bienal
numa concepção universal

pendiam sarrafos do chão
tal atlas das roupas rotas
uma jazida de células mortas
oculta nos poros de um blusão

das brisas que sopram varal
ventam roupas em cor desigual
pingos pingados na imensidão
numa organização tão incerta

pediam por uma área aberta
para poder arejar o colchão
e secar os fluidos ao sol
esfregados com branco total

com gancho grampo e cordão
penduravam um mar de gotas
de limpas cheirosas e fofas
tramas têxteis de ilusão

wasil sacharuk






sais de banho

 sais de banho


subtraio-te os pensamentos
rasgo-te as roupas
arranco-te promessas
desde as singelas
até as mais loucas
misturo aos sais do teu banho 
partículas ocultas de mim

subtraio-te os vícios
teus fins teus inícios
drogas e culpas
invado domínios
subjugo o arbítrio
aos recônditos sinistros 
dos escondidos segredos
e dos ossos do medo

subtraio teu baú de artifícios
obscuros diamantes
lapidados na mente
 hades latente de fogo e lama

subtraio-te a liberdade 
se minha crueldade 
 te prende na cama

de novo e de novo

o que de ti subtraio
logo mais eu devolvo

wasil sacharuk




alívio

 alívio 

busca o alívio
pelo sangue que jorra
dos buracos de faca
nesse mar gosma verde
nesse século de sede
num dia de ressaca

busca o alívio
dessa dor que ataca
que judia que fere
a dor que te adoece
é a mesma que mata

busca o alívio
na crença ingrata
que te pede e promete
outro milênio
de novas bravatas

busca o alívio
numa letra de hino
nas ciências exatas
nos sistemas de ensino
na pintura abstrata

busca o alívio
nas ideias compradas
filosofias baratas
nas sentenças mais curtas
nas comidas em lata

busca o alívio
nas vivências passadas
nas certezas já prontas
que jamais dizem nada

wasil sacharuk



jardineiro

 


jardineiro

visitou o jardim
pousou a mão
sobre a indelicada
rosa vermelha

tão linda
abriu-se inteira
desejosa
exibiu sua beleza

o jardineiro
feito abelha
deslizou satisfeito
pela seiva

toques cálidos
resvalaram vontades
com paciência
com paixão
nos úmidos humores
da lírica flor

sucumbiram as pétalas
de tanto calor
lânguida rosa
indecorosa
liberta e plena
feito poesia

wasil sacharuk



SACHARUK - VARAL Full - poesia falada spoken word



SACHARUK - VARAL

A vida é feita de pedaços, VARAL é onde a gente pendura cada um.

VARAL já está no ar — e cada poema é uma história pendurada ao vento, pronta para tocar o que você sente.

poesia de WASIL SACHARUK

Entre o erotismo e a angústia existencial, o poeta constrói um manifesto sobre a autenticidade do sentir. numa sequência poética que funciona como montanha-russa emocional, explorando diferentes facetas da condição humana.

VARAL se inicia com uma forte carga de sensualidade e lirismo, utilizando a metáfora da "rosa vermelha" e do "jardineiro feito abelha" para falar de desejo e entrega. Em seguida, o tom escurece e ganha contornos de possessão e intensidade arrebatadora ("Subtraio-te os pensamentos, rasgo-te as roupas").

O ponto de virada ocorre quando a paixão cede espaço para a angústia existencial. O eu lírico busca desesperadamente um alívio para a dor em um "século de sede", criticando a superficialidade das "ideias compradas" e das "filosofias baratas". Há também um olhar melancólico para a rotina e a finitude, culminando em um desfecho libertador: a recusa em se adequar aos julgamentos alheios e a escolha pela própria verdade.

"Languida rosa indecorosa, liberta e plena. Feito poesia."

"Busco o alívio nas ideias compradas, filosofias baratas, nas certezas já prontas, que jamais dizem nada."

"Encontrei minha bússola na felicidade. Não, não desejo comprar nenhuma verdade."

Wasil Sacharuk não pede licença para tocar em feridas abertas ou expor desejos profundos. É uma obra para quem aprecia uma poesia que não apenas é lida, mas que respira, sangra e se liberta em voz alta.

#SpokenWord #PoesiaFalada #WasilSacharuk #LiteraturaBrasileira #ReflexãoDoDia #ArteContemporanea #PoesiaEmVideo #PoesiaQueSalva #VARAL #AlbumNovo #MusicaBrasileira #Lançamento #OuçaAgora #IndieBR #MPB #EscutaComCalma #wasilsacharuk #poesia #poesiafalada #poesiabrasileira #poesiaemúsica #IndieBR #literatura



esqueletos

 esqueletos ☠️💀🦴💀


naveguei tantos mares
explorei outras terras
remei o dó nas galeras
com dores nas costas
e de olhos tristonhos
em busca do porto
para ancorar alguns sonhos

marés de tantos azares
outras de sorte ou quimeras
abandonei causas velhas
pisei na fama e na bosta
mirei destinos tacanhos
joguei pérolas aos porcos
servi senhores estranhos

separei dos meus pares
fui ovni entre estrelas
ficamos eu e as panelas
pois eu perdi as apostas
que fiz com deus e demônio
vi meus sonhos aos ossos
de esqueletos medonhos

wasil sacharuk









das alturas

 


das alturas

enfrento as forças que ameaçam
desvio de ondas que não banham
das razões
a que eu desconheço
morro nas tramas que me apanham

são tantos ares
eu nem respiro
em tantos lares
eu já não entro
invado espaços que nem habito
moro em zonas que não frequento

viajo alturas que não alcanço
trago loucura para o remanso
sou prisioneiro 
da liberdade

de asas seguras eu não canso
a vida é dura mas tem encantos
não é utopia 
a felicidade

wasil sacharuk











jogos confusos

 jogos confusos


pensei em sangrar
os meus pulsos
pensei em cortar
os meus cabelos
escrever uma carta
pela última vez
registrar minhas letras

porém das lembranças
que terei do futuro
de mim voarão borboletas
cintilantes estrelas
no céu mais escuro

dos murros
dos muros
e das incertezas
desses jogos confusos

então quero viver
pintar aves nos céus
amainar asperezas
negociar com os sonhos
perdoar as mentiras
e morrer natural
pelos dias lentos
aprender a sorrir
eu quero viver

pensei em conter
meus impulsos
pensei em contar
meus segredos
pensei palavras exatas
dissecar minha tristeza
em poesia

mas as certezas
que eu ainda tinha
migrarão tal andorinhas
e outras novas belezas
tomarão seu lugar

então quero viver
e poisar no papel
as lágrimas belas
do universo tristonho
entender diferenças
e morrer bem normal
sem meus lamentos
aprender a viver
eu quero viver

wasil sacharuk 












onde vive o amor

  onde vive o amor


espero algo de ti
nunca sei dizer o que é
espero e não imagino
que nome isso tem
espero algo de alguém
minh'alma percorre desterros

procuro nos jardins
na casa de verão
entre teus cabelos
entre os vãos
bem dentro
onde vive o amor

sei que vejo uma cor
não sei dizer que cor é
minha mente sempre mente
visita um lugar
não sei ao certo onde é

procuro nos jardins
na casa de verão
entre teus cabelos
entre os vãos
bem dentro
onde vive o amor

wasil sacharuk













nenúfar

  nenúfar

se te fazes -morena- tão ninfácea - és nenúfar que se destaca doutros nenúfares do azul jardim - se te quero possuir e espero que sim - escalo montanhas alucino nas curvas em  total sincronismo entre a estrada e o fio do abismo
empresta tuas águas às enxurradas sob o olhar de Jaci a agarrar o firmamento - espero o momento de beijar-te morena  - teus lábios rosados ao pordossol ciumento

wasil sacharuk













rasgando e reunindo

 rasgando e reunindo


percorro a vida a te navegar
águas que pairam
a me refletir
desbravo-te pelo louco querer

teu laço para me desatar
lágrima e o sorriso para me dividir 
rasgando e reunindo o meu ser

wasil sacharuk






segunda-feira, 27 de outubro de 2025

SACHARUK - DESTINOS TACANHOS Full - poesia falada spoken word


SACHARUK - DESTINOS TACANHOS

A navegação pelas águas turvas da dor e o grito de resistência na poesia falada. Um grito de sobrevivência e um abraço para quem precisa de esperança. Recomendo muito que tirem alguns minutos do dia para assistir e absorver cada palavra dessa performance.

Poesia de WASIL SACHARUK

DESTINOS TACANHOS é de uma crueza emocionante. O autor não esconde a dor, admitindo: "Pensei em sangrar os meus pulsos. Pensei em cortar os meus cabelos, escrever uma carta pela última vez". No entanto, é exatamente no fundo desse poço emocional que a poesia encontra sua maior força. A narrativa se transforma em um manifesto de resiliência, onde a vontade de existir fala mais alto, culminando no poderoso refrão: "Então, quero viver, pintar aves nos céus, amainar as perezas [...] Eu quero viver".

A performance ganha contornos épicos ao abordar as cicatrizes do tempo e as escolhas erradas ("Naveguei tantos mares, explorei outras terras... Abandonei causas velhas, pisei na fome e na bosta"), mostrando que a aceitação da vida inclui abraçar seus fracassos e os sonhos que ficaram pelo caminho.
DESTINOS TACANHOS toca na ferida da saúde mental sem romantizar a dor, mas oferecendo uma saída luminosa. A repetição do "Eu quero viver" funciona como um mantra de cura. É uma performance necessária para quem já se sentiu perdido e precisa lembrar que, apesar de tudo, "a vida é dura, mas tem encantos. Não é utopia a felicidade".

Você já sentiu que a vida é uma navegação por águas incertas, onde às vezes perdemos a direção? 🌊

#SpokenWord #PoesiaFalada #SaudeMental #PoesiaBrasileira #WasilSacharuk #Resiliencia #ArteQueCura #PoesiaQueSalva #DestinosTacanhos #ÁlbumNovo #MúsicaIndependente #PlayAgora #OuçaComFones #LetrasQueCortam



quarta-feira, 22 de outubro de 2025

passava e pensava

 passava e pensava


eu passava roupa
e pensava a ferro
ele assistia
sexo e futebol
e me tratava por louca

eu só queria amor
miséria pouca
é bobagem
eu passava
e pensava
em arrumar a bagagem

eu passava
diante dos olhos
ele não me via
e eu pensava
em morrer todo dia

eu pensava
ele não passava
e sempre dizia:
poetisa pretensa
só pensas em poesia

wasil sacharuk




falsa dor

 falsa dor


pecaminoso o bálsamo
extraído da flor
degradé furtacor
banhada de orvalho

melodicamente
uma a uma
gotas ao piano
reinventam o amor
em cadência suave
quebram asperezas 
retorcem
entornan 
torpor e suor

falsador do mistério
as pequenas mortes
segredam das pétalas

wasil sacharuk








perséfone diva

 perséfone diva 


linda dama enfeitada ♀️
doce perséfone diva
exibe frutos maduros
sinuosidades renascentistas
sob as madeixas cascatas
 sonha o conto de fadas
  o príncipe sabe de nada
 o dragão é o protagonista 🐲

wasil sacharuk






pequeno

 pequeno


eu posso saber de tudo
ser essência da vida
posso ser algum anjo
luz das almas perdidas
posso ser boa nova
das saudades infindas

e sei ser linda flor
num jardim tão perfeito
posso ter qualquer cor
produzir meus efeitos
                ...fantásticos

tudo é tão pequeno
      se te amo tão vasto

apenas velho demônio
soberano do hades
inferno enfadonho
onde o tempo é sem tempo
e distante é distante

das tristezas errantes
posso ter o controle
nas belezas vertentes
sei matar minha fome
meus talentos latentes
                ...fantásticos

tudo é tão pequeno
      se te amo tão vasto

apenas velho enfadonho
demônio do hades
inferno soberano
onde o tempo é sem tempo
e distante é distante

eu posso ser pleno
mas também simulacro
tudo é tão pequeno
se te amo tão vasto

tudo é tão pequeno
        se te amo tão vasto

wasil sacharuk








completamente lua

 completamente lua 🌔


ela revolve mares de sal
e se oculta no beco 
ao final da minha rua
enquanto o sol
ainda veste pijama
ela  vem e me ama
completamente lua

wasil sacharuk



pioggia

 pioggia


 Lancei um pedido 
nas águas do mar
 estive perdido
 para me encontrar

 tanto fui louco 
a dialogar tuas mãos
 por espaços de coisas 
fora do lugar

 vivo escondido 
na esteira do tempo
 para nao sentir 
tua falta nunca mais

 vivo escondido 
detrás da tua porta
 para nao sentir 
tua falta nunca mais 

 eu sei pioggia 
meu castigo 
pioggia 

 eu choro pioggia 
meu castigo 
pioggia 

eu vivo escondido
 por espaços de coisas
 fora do lugar

 lancei um pedido 
para nao sentir 
tua falta nunca mais 

 eu sei pioggia 
meu castigo 
pioggia 

eu choro pioggia 
meu castigo
 pioggia. 

 wasil sacharuk




terça-feira, 21 de outubro de 2025

SACHARUK - FALSA DOR Full - poesia falada spoken word





SACHARUK - FALSA DOR

A Poesia Sobrevive ao Cotidiano e Transborda na Vastidão em seis peças escritas por WASIL SACHARUK

A invisibilidade doméstica, o resgate da própria essência e a imensidão do amor se encontram em uma performance de spoken word que recusa a pequenez do mundo.

Neste vídeo de spoken word, somos convidados a testemunhar uma transição emocional profunda. FALSA DOR começa em um cenário de opressão e invisibilidade cotidiana, onde a voz lírica divide o espaço com a indiferença. Aos poucos, a narrativa se liberta das amarras do ambiente doméstico para abraçar imagens grandiosas, místicas e apaixonadas, culminando em uma declaração de amor que transcende o tempo e o espaço.

"Eu passava roupa e pensava ferro. Ele assistia sexo e futebol e me tratava por louca." A rima entre o ato mecânico de passar roupa e a dor de não ser vista revela a solidão de quem tem uma alma poética presa em uma realidade árida. A frase "Poetisa pretensa, só pensas em poesia" ecoa como um golpe de quem não compreende a profundidade do outro.

Imagens como o "pecaminoso bálsamo", as "pequenas mortes que segredam das pétalas" e a figura de Perséfone trazem um tom místico. A subversão dos contos de fadas é um dos pontos altos: "O príncipe sabe de nada. O dragão é o protagonista", mostrando que a força (e talvez a verdadeira paixão) reside naquilo que é selvagem, e não no que é idealizado.

"Eu passava diante dos olhos, ele não me via e eu pensava em morrer todo dia."
"O príncipe sabe de nada. O dragão é o protagonista."
"Tudo é tão pequeno, se te amo tão vasto."
"Ela revolve mares de sal e se oculta num beco ao final da minha rua enquanto o sol ainda veste pijama. Ela vem e me ama completamente."

A performance é uma oferenda ao poder da palavra falada. O ritmo cadenciado que acompanha a repetição dos versos cria uma atmosfera quase hipnótica. É uma obra para quem já se sentiu invisível, mas encontrou na poesia, no amor ou na própria força interior a vastidão necessária para continuar existindo. Assista para se deixar levar por essa maré de emoções.

🥀✨A poesia falada tem o dom de arrancar a dor do cotidiano e transformá-la em algo imenso.

👉 O que faz você se sentir "vasto" no meio de um mundo tão pequeno? Me conta nos comentários!

#SpokenWord #PoesiaFalada #PoesiaContemporanea #ArteQueCura #AmorVasto #PoesiaNoInstagram #Sentimentos #Reflexão #WasilSacharuk #ArteDaPalavra #poesia #literatura #poema #sacharuk



roda do tempo

  roda do tempo 

o tempo
sempre o tempo
roda espirais
agruras de vento
dança rodamoinho
corrupio e atropelo
das vidas pequeninas
depois chora ruínas
no jazigo dos lamentos

wasil sacharuk



nereida de gesso

 nereida de gesso 


Faltai-me
Indignas paixões
Quedai nos braços da paz
Um mar sem embarcações 
E um porto abrigo sem cais

Encontrai o meu signo
Movendo velas no mastro

Pó de gesso, alabastros
Asas alçando o desígnio
Zarpando dentre os corais

wasil sacharuk



alma nas paredes

 alma nas paredes


aqui é cinzento nessas casas lindas do século XVIII suas paredes têm alma aqui são tristes passam calmas as noites frias e dos úmidos dias apenas ouço os murmúrios 
aqui é escuro profundo tal poço as cores sombrias perpassam os olhos intrusos que me habitam
aqui é cinzento nessas casas lindas do século XVIII eu ainda te vejo vejo para sempre

wasil sacharuk





errante

 errante


vi o amor sereno
gravar versos nas tábuas d'alma

vi o dia de calma
desconheci as alturas e as quedas
entre as estrelas e o piso
impensados movimentos
invariavelmente imprecisos

vi a força do vento
refrescar o sorriso de dentes de pedra
e de corte diamante
que rompeu horizontes das fronteiras
entre vida e morte do céu e da terra

vi o nada que espera
além do norte e doutras esferas
onde habitam extintos mamutes urubus e elefantes

vi teus olhos distantes
a esconder vagalumes
que apagam e acendem luzes incertas
brilhando fortes nos meus versos

vi os sonhos dispersos
no meu planeta conciso
tal marés violentas á deriva da sorte
navegando errantes
 distantes do que chamei paraíso

wasil sacharuk








de tanto voar

 de tanto voar


ele brincou sozinho
com palitos de fósforo
e embalagens vazias
legítimo arquiteto
do seu mundo disperso

acompanhou passarinhos
de um helicóptero
com hélice de polia
e girou torvelinho
sobre uma cobertura
feita de papel

do alto do céu
estudou a geografia
inventou a arquitetura
das praias e das casas
da cidade e suas ruas

de tanto voar criou asas
planou na envergadura
no último voo rasante
espatifou-se na poesia

wasil sacharuk






meus demônios

 

meus demônios

meus demônios de ouro
têm lua na arte
ascendente escorpião
veneno das máculas
criaturas e entidades
que vigiam as águas
e habitam cidades
entre o alto do céu
e o fundo do chão

meus demônios precários
não trazem do ser a semente
são diabos errantes
e indiferentes
metades de santos
dos mitos e enigmas

legítimos signos
da farsa humana de existir

meus demônios de cânhamo
presos numa garrafa
curandeiros das farsas
dos enganos e trapaças
nos dias de chuva
observam a vida fluir
por detrás da vidraça

meus demônios imundos
desconhecem a lástima
que num poço profundo
foi vertente das lágrimas
renegam as graças
do abismo da crença
e as sentenças alvissareiras

meus demônios da dança
giram em volta à fogueira
junto às chamas do amor

wasil sacharuk











segunda-feira, 20 de outubro de 2025

SACHARUK - ERRANTE Full - poesia falada spoken word





SACHARUK - ERRANTE
a Arquitetura da Memória

Entre demônios pessoais e casas seculares, a poesia falada nos convida a observar o tempo e as ruínas que ele deixa para trás.

Nesta performance intensa de spoken word com a poesia de WASIL SACHARUK, somos conduzidos por uma jornada que atravessa a implacabilidade do tempo, a aceitação dos nossos "demônios" internos e a nostalgia de um mundo construído na infância. Com uma entrega cênica marcada por pausas dramáticas e o acompanhamento musical que amplifica a melancolia, a poesia se desdobra como um lamento belo e doloroso sobre a fragilidade da existência humana.

ERRANTE começa com uma constatação cíclica sobre o tempo, que "dança, roda moinho, corrupio e atropelo das vidas pequeninas". Em seguida, o eu-lírico apresenta seus demônios não como entidades puramente malignas, mas como partes integrantes e complexas do ser — "metades de santos dos mitos e enigmas, legítimos signos da face humana de existir". Há uma aceitação dessas sombras que habitam "entre o alto do céu e o fundo do chão".

A performance ganha um tom de memória e inocência perdida ao descrever o menino que "brincou sozinho com palitos de fósforo e embalagens vazias", tornando-se o "legítimo arquiteto do seu mundo disperso". Essa imagem contrasta fortemente com o cenário final, onde o poeta nos transporta para casas cinzentas do século XVIII, cujas paredes "têm alma" e onde se ouvem apenas murmúrios em noites frias.

"O tempo, sempre o tempo. Rodas pirais agras de vento. Dança, roda moinho, corrupio e atropelo das vidas pequeninas."

"Meus demônios precários não trazem do ser a semente. São diabos errantes e indiferentes, metades de santos dos mitos e enigmas..."

"Ele brincou sozinho com palitos de fósforo e embalagens vazias. Legítimo arquiteto do seu mundo disperso..."

A performance entrega uma catarse sobre como lidamos com nossas memórias, nossos medos e a passagem inexorável dos anos. Uma experiência poética que ressoa muito depois que o vídeo termina.

📱 O tempo atropela nossas vidas pequeninas ou somos nós que construímos ruínas? 🕰️🍂

Aumente o som, sinta cada pausa e deixe a poesia te atravessar.

#SpokenWord #PoesiaFalada #ArteEPoesia #Reflexão #PoesiaContemporanea #OTempo #Memórias #PoetasNoInstagram #ArteQueCura #sacharuk #poesia #poema #poeta





quarta-feira, 15 de outubro de 2025

fui princesa

  fui princesa 

certa vez eu fui princesa 
quando tive a certeza 
que a vida sorria para mim 

avancei o curso dos tempos 
passaram as águas 
limparam lamentos 
inundaram as mágoas 
porém
 não foi o meu fim 

decerto custou a delicadeza 
bem
ser eterna princesa 
é da existência querer demais 

hoje espero a paz 
atracada num porto seguro 
aprendi a ver no escuro 
e não escutar os meus ais 

sempre serei a criança 
não se perca de mim a graça 
pois ela será a minha dança 
enquanto essa vida passa

wasil sacharuk



chuva no quintal

  chuva no quintal (meu novo mundo abissal)

o entardecer esteve comigo
choramos cristais e neblina
já não haviam gnomos
somente uma fome de paz
rondando o gramado do quintal

quiçá não houvesse sentido
em descansar sobre o húmus
e querer entregar minha sina
a um tolo lamento cabal

me vi finalmente rendido
enquanto esperava o escuro
só queria fechar a retina
para não ver nunca mais
meu novo mundo abissal

wasil sacharuk








cascatas de cachos graúna

 cascatas de cachos graúna


minha amada sempre fala das horas
conduz meus dedos
aos bancos de areias brancas
fatal sutileza
suave textura

despenca cascatas
de cachos graúna
nas minhas coxas
ouço comovida
murmúrios de encantos
língua insana 
doutro planeta

minha amada desprende 
poeira radioativa das dunas
logo colhe maçãs no parque

mas do que mais gosto
e gosto muito mesmo
é quando minha amada 
se despe em poesia

wasil sacharuk







tsunami

  tsunami

eu quis inventar a canção
porém tive medo
e quis te prender na prisão
não era mais do que farsa

essa sina oferta
tantas certezas escassas
e hoje acordo mais cedo
para ver se o sol me abraça

manterei a casa aberta
enquanto a chuva não passa
beberei cada pingo do chão
num tsunami que se alastra

wasil sacharuk






algoritmo

 

algoritmo

por detrás da minha face ninguém sabe meus intentos todas coisas que eu penso todas coisas que eu sinto
não sabem dos artefatos que jamais serão usados minha prece ao oceano em silêncio desvelado
e não podem ver as ruas os saraus onde eu estive meus versos aleatórios pelo algoritmo d'alma
não vislumbram os vestígios se rios quedam dos olhos nem percebem o concreto que comporta as vertentes
também não veem o sangue que escorre das feridas desconsideram os medos cimentados nas paredes
e são cegos para as sombras quando iludem a visão misturadas às penumbras traçam minha intuição
até tentam ver a lua onde vive a solidão meus versos aleatórios pelo algoritmo d'alma
não vislumbram os vestígios se rios quedam dos olhos nem percebem o concreto que comporta as vertentes
não entendem quando a dor se esconde sob a pele e não falam o dialeto os subterfúgios da mente
jamais podem flagrar nuas minhas musas eloquentes e meus versos aleatórios pelo algoritmo d'alma

wasil sacharuk






🤯 ALGORITMO DA ALMA: Será que alguém nos conhece de verdade? 🤯

Em uma era dominada por algoritmos que tentam nos decifrar, o poeta Wasil Sacharuk nos brinda com um poema que nos convida a uma reflexão profunda e, ao mesmo tempo, libertadora: "algoritmo".

Ele nos lembra que, por trás da face que mostramos ao mundo, existe um universo inteiro de:

✨ "intentos"

✨ "coisas que eu penso, coisas que eu sinto" ✨ "artefatos que jamais serão usados" ✨ "minha prece ao oceano em silêncio desvelado"

O que realmente nos move? Quais são os saraus da nossa alma, os rios de lágrimas invisíveis, os medos cimentados nas paredes internas? 

Cada um de nós é um sistema complexo, guiado por um "algoritmo d'alma" único e intransferível. Ninguém pode realmente "flagrar nuas" nossas musas ou entender os "subterfúgios da mente". E talvez essa seja a beleza maior: a nossa essência, a nossa verdade mais profunda, reside nesse espaço sagrado e intocável. 💫

Qual parte do seu "algoritmo d'alma" você sente que é a mais secreta e poderosa? Compartilhe nos comentários! 👇

#WasilSacharuk #AlgoritmoDaAlma #PoesiaQueConecta #MundoInterior #LiteraturaBrasileira #Reflexao #Sentimentos #EssenciaHumana #ArteDeSentir #PoesiaContemporanea #Autoconhecimento


luz de amizade

 

luz de amizade

eu aprendi
bem pequenino
cruzar estradas
cortar caminhos
assim eu cresci
quando aprendi
a rodar moinhos

não sei parar
eu rodo sozinho
não sei parar
estou tão cansado
tão cansado

pronuncio teu nome
estendo a minha mão
vejo na escuridão
nossa luz de amizade
pelos nossos dias
amigo te peço 
me leva pra casa

pai
me leva pra casa
pai
me leva pra casa
 pra casa

traduzi em poesia
as coisas confusas
que escutei do silêncio
na areia eu dormi
já morri de amor
e de amor já vivi
conheci os mistérios
contei luas cheias
nossa luz de amizade 

não sei parar 
estou tão cansado
cansado 

pronuncio teu nome
e ainda te procuro
pelos cantos do mundo
pela nossa lealdade
pelos nossos dias
amigo te peço 
me leva pra casa

pai
me leva pra casa
pai
me leva pra casa
pra casa

pronuncio teu nome
estendo a minha mão
vejo na escuridão
nossa luz de amizade
pelos nossos dias 
amigo te peço:
me leva pra casa

pai
me leva pra casa
pai
me leva pra casa
pai
me leva pra casa
pra casa

amigo te peço 
amigo te peço 
pai
me leva pra casa 


wasil sacharuk





vagalumando

 vagalumando 


habitas a penumbra
dos subterrâneos
de costas ao sol
sequer olhas para fora

porisso não vês
vagalumando no céu
as luzinhas piscantes
espocando pela orla

wasil sacharuk






SACHARUK - ALGORITMO Full - poesia falada spoken word





S∆CH∆R√K - ALGORITMO

A Busca por Refúgio e a Força da Criança Interior: Uma Jornada em Spoken Word

Somos mais que uma linha de código? O feed que te adivinha. A música que te recomendam. O anúncio que parece ler sua mente. Vivemos cercados por algoritmos que tentam prever nosso próximo passo.

Mas e a alma? E o caos? E o amor que nasce do acaso? Teu coração cabe numa fórmula?

O álbum "Algoritmo", é uma busca pela trilha humana em meio ao ruído digital. Cada faixa é um passo fora do padrão. Uma declaração de que ainda somos nós que ditamos o ritmo do nosso coração. ALGORITMO foi feito de carne, osso e inquietação. Um som para quebrar a repetição. Uma palavra para furar a bolha.

Em uma performance carregada de vulnerabilidade e lirismo, somos convidados a mergulhar nas profundezas da alma humana. O vídeo apresenta uma obra que transita por paisagens emocionais complexas, onde o cansaço do mundo moderno encontra a esperança na manutenção da nossa essência mais pura.

Inicia-se com um apelo quase desesperado por acolhimento e pertencimento, marcado pelo refrão exausto de quem cruzou estradas e cortou caminhos. Há uma transição para a contemplação do amor e, em seguida, um mergulho nas dores que não conseguimos expressar — os "versos aleatórios pelo algoritmo da alma". A obra atinge seu clímax ao abordar a perda da inocência ("Já não havia gnomos no quintal") e culmina em uma poderosa declaração de resiliência: a recusa em deixar a criança interior morrer.

"Amigo, te peço, me leva para casa, pai. Me leva para casa."
"Não entendem quando a dor se esconde sob a pele e não fala num dialeto."
"Sempre serei a criança. Não se perca de minha graça, pois ela será a minha dança enquanto essa vida passa."

ALGORITMO toca na ferida da exaustão contemporânea, mas oferece um curativo. Vale a pena assistir para se reconectar com a própria vulnerabilidade e lembrar que, apesar das asperezas da vida, nossa "graça" e nossa "dança" interna são nossos maiores portos seguros.

#Algoritmo #MúsicaBrasileira #Poesia #ArteDigital #Humanidade #Lançamento #Sacharuk #Manifesto #QuebreOPadrão #AlgoritmoAlbum #MúsicaParaPensar #ArteResiste #Lançamento #SpokenWord #PoesiaFalada #ReflexãoDaVida #Vulnerabilidade #ArteQueCura #PoesiaBrasileira #CriançaInterior #Emoção #Literatura #Cultura



da tua janela

 da tua janela 


te escuto respirar
na noite adormecida
se entro pela tua janela

as coisas que te pertencem
se mesclam a mim
quero acordar pássaros
contigo na nova manhã

eu já sei quem eu sou
sei do tanto que erro
ainda insisto te olhar

não vou embora
não vou sumir
só vou respirar
até o amor verter sobre mim

eu quero tentar
quero entender
até o amor verter sobre mim

te escuto respirar
se entro à noite
pela tua janela
as coisas que te pertencem
se mesclam a mim

eu já sei quem eu sou
sei do tanto que erro
ainda insisto te olhar

não vou embora
não vou sumir
só vou respirar
até o amor verter sobre mim

eu quero tentar
quero entender
até o amor verter sobre mim

e acordar pássaros contigo
na nova manhã

wasil sacharuk 



verde de limo

 



verde de limo

tenho sido titubeio
entre vontade e destino
não sou florbelo
também não sou feio
hades com flores no meio
ou apenas poeta menino

sou pedra verde de limo
inerte seguro no freio
desorientado
e com receio

tenho sido o vacilo
precipício e desatino
poeta preso no estilo
tal cavalo no arreio
hoje acabou o passeio
mas ainda sou peregrino

procuro o talento divino
acertar sempre em cheio
descomplicado
e sem rodeio

wasil sacharuk







calos

 calos 

conta uma história linda
sobre as virtudes mágicas
daquelas mulheres antigas
lavadeiras tão trágicas
cantadoiras das cacimbas
sob os calos escondiam 
as linhas das suas mãos
sobre as dores imprimiam
as suas linhas da vida

wasil sacharuk





cabocla

 cabocla


caboca da tez tatuada 
verde vestido ao vento 
pedala a bicicleta velha 
nos caminhos de fogo da terra

caboca sabe que o mar
apaga o fogo da terra
que a lua brilha na serra
também movimenta maré

caboca aos passos lentos 
entrecruza as queimadas 
sua voz encanta a toada
embalando os lamentos

caboca tem pé jenipapo
e tem outro pé canindé
carnaúba cerrado banana
tem coco tem sede tem fé

caboca do pé de serra 
alma rendada de birro  
 forja nas incertezas
 a resignação e a espera

caboca tem nome de ana
alice francisca maria 
tem maracatu tem poesia
na festa de são josé

caboca do sacramento 
das mulheres abnegadas 
da vida que não cobra nada 
além dos próprios tormentos

wasil sacharuk 




avoada

 avoada


a alma anda avoada
avenidas afora
ainda alquebrada
antes andava amarga
anda agora aliviada

anda alçada aos ares
arremeda animais alados

alavanca as alturas
até a aura azul
assiste aves atmosféricas
aplaudindo aos astros
até Apolo avermelhar
a aurora ametista

as aspas abolidas
antecedem alíneas
abortam artigos abreviados
abonam apóstrofos
argumentos acumulados

ao anoitecer
a alma ainda acordada
acorrentada ao aço 
abandona a armadura

ademais 
a alma agora admite
arrebentar as algemas

wasil sacharuk






nota:

A jornada da alma transita da dor  para um estado de leveza, liberdade e autoconsciência. 
 A alma, que "antes andava amarga", agora está "aliviada". A mudança é enfatizada pela imagem dela "alçada aos ares" e "arremedando animais alados", indicando um desejo de liberdade e ascensão. 
 A alma se torna uma observadora do cosmo, "assistindo aves atmosféricas" e "aplaudindo aos astros". A menção a "Apolo avermelhar a aurora ametista" traz uma dimensão mitológica e sugere uma nova percepção da beleza do mundo. A alma não apenas voa, mas também se conecta com o universo.
A menção de "aspas abolidas" e a forma como a linguagem é tratada ("antecedem alíneas", "abortam artigos abreviados", "abonam apóstrofos" é uma desconstrução de antigas narrativas que aprisionavam a alma. A ideia de "argumentos acumulados" sugere um processo de autoanálise e redefinição.
 Mesmo "ao anoitecer", a alma permanece "ainda acordada", o que indica uma vigilância e uma nova consciência. A imagem de ela estar "acorrentada ao aço" e "abandonar a armadura" é poderosa, simbolizando o abandono de defesas e limitações impostas. O clímax  "a alma agora admite arrebentar as algemas"  é um reconhecimento de sua própria força e da necessidade de se libertar de qualquer prisão.
"Avoada" nos convida a refletir sobre a capacidade de transformação. Sacharuk nos guia pela jornada de uma alma que, ao se libertar das amarras do passado, encontra a leveza, a contemplação e, finalmente, a coragem de romper com  aquilo que a impede de ser livre. 





anjos tocam falácias

  anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...