cova das sinas
aberta uma porta
dessas crendices
para qualquer doença
correrão tolices
e desavenças
disseram que a poesia
nalgum certo dia
foi vista morta
tanto inexata
confusa e sepultada
na cova das sinas
que sobrou apenas cinzas
sobrou o nada
no viés das vias tortas
dessa vida que tenta
e retenta
mas nunca ensina
e eu e somente eu
que sou assim meio louco
não conheço o tal deus
nem tampouco
o fiadaputa do diabo
não temo livro sagrado
sequer tridente ou rabo
picho os muros do céu
e do inferno
num rabisco estabanado
um toque terno
de inocência
e certa demência
estou por aí tão soturno
esmagando cabeças
com meus coturnos
num passo vago
sem sentenças
ou pecados
à direita o anjo
toca trombeta
diz que a coisa tá preta
do outro lado
e o insano capeta
fazendo careta
em tom debochado
diz que porta aberta
quando fecha
sempre deixa uma brecha
donde se vê os estragos
wasil sacharuk