sexta-feira, 10 de outubro de 2025

cova das sinas

   cova das sinas


aberta uma porta
dessas crendices
para qualquer doença
correrão tolices
e desavenças

disseram que a poesia
nalgum certo dia
foi vista morta
tanto inexata
confusa e sepultada
na cova das sinas

que sobrou apenas cinzas
sobrou o nada
no viés das vias tortas
dessa vida que tenta
e retenta
mas nunca ensina

e eu e somente eu
que sou assim meio louco
não conheço o tal deus
nem tampouco
o fiadaputa do diabo

não temo livro sagrado
sequer tridente ou rabo
picho os muros do céu
e do inferno
num rabisco estabanado

um toque terno
de inocência
e certa demência

estou por aí tão soturno
esmagando cabeças
com meus coturnos
num passo vago
sem sentenças
ou pecados

à direita o anjo
toca trombeta
diz que a coisa tá preta
do outro lado

e o insano capeta
fazendo careta
em tom debochado
diz que porta aberta
quando fecha
sempre deixa uma brecha
donde se vê os estragos

wasil sacharuk








anjos tocam falácias

  anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...