os setembros
estive debruçada à janela
a vigiar o teu quarto
verti sangue em poesia
enquanto as supernovas
guardavam teu sono
estive absorta
em lembranças aleatórias
dos contos de sherazade
e outras tantas estórias
que contaste pelos campos
ou deitada na tua canoa
sob o voo das garças
as brancas as pardas
e os martins-pescadores
certas marcas deixadas
pelo açoite das dores
reuniram dois oceanos
e arderam na fogueira
das pupilas distantes
até morrerem no arcano
do teu olhar diamante
contemplei tua dança
aos demônios de um rito
em resposta
aos sonhos vermelhos
escritos nos versos infinitos
da minha premonição
recitei raridades
acerca das flores
e do cão no quintal
e logo soprei
sementes brotadas de ti
e das coisas todas
que te pertencem
uma era sem nome
tatuou os seus signos
e perpetuou os setembros
agora descanso solene
sob o solo
enfeitada de orquídeas
wasil sacharuk