domingo, 14 de setembro de 2025

negra

 não digas nada (negra)


preciso mergulhar aos confins
 desse olhar diamante
estender uma ponte
unindo nossas pupilas,

não digas nada
negra

deixa-me querer
nada é impossível 
as três da manhã
ainda despencam 
pétalas das hastes

visito os ninhos
das garças estabanadas
pelas rotas abandonadas
pelos dias que passam
 batendo as asas

preciso tuas mãos frias
sobre minha fronte
ver tuas ancas
 serpenteando dilemas
salvando meus sonhos

não digas nada
negra

agora sozinho
no escuro das estradas
pelas noites devastadas
os camaradas passam
e não dizem nada

preciso tuas mãos frias
sobre minha fronte
e não digas nada
no meu último dia,
negra

e não digas nada

nada

wasil sacharuk




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