o vivente

 o vivente


vês lá?
o vivente
junto ao carvalho?

sentado ao chão
livro à mão
empresta sentidos à vida
e respostas para a morte

debaixo da copa crescida
 experimenta a sorte
a mente aberta num rasgo
causa múltiplos estragos
ao núcleo da consciência

 indaga filosofia
ressignifica a ciência
proclama poesia
e tu o vês sentado
tal inspiração
à luz da meditação

ao pé do carvalho
 molhado de orvalho
o vivente sopra sementes
de perguntas tantas

wasil sacharuk


notas:

"O Vivente" é um poema que convida à reflexão sobre a busca incessante do conhecimento e o impacto transformador dessa jornada. 

"vês lá? o vivente junto ao carvalho?". Essa interpelação cria uma atmosfera de cumplicidade e curiosidade, convidando-nos a observar. O carvalho, uma árvore milenar e robusta, simboliza a sabedoria e a perenidade do conhecimento. 

O vivente não está apenas lendo; ele "empresta sentidos à vida e respostas para a morte". Essa frase encapsula a profundidade de sua inquirição, que transcende o trivial e busca as grandes questões existenciais. A leitura e a meditação ("tal inspiração à luz da meditação") são os meios pelos quais ele explora seu mundo interior.

A expressão "a mente aberta num rasgo causa múltiplos estragos ao núcleo da consciência" é particularmente potente. "Estragos" aqui não tem uma conotação negativa, mas sim de ruptura e desconstrução de paradigmas antigos. É o impacto da epifania, do novo conhecimento que abala as estruturas pré-concebidas da mente. O vivente "indaga filosofia, ressignifica a ciência, proclama poesia", demonstrando uma abordagem multidisciplinar e holística do saber. Ele não se limita a um campo do conhecimento, mas os integra para construir uma compreensão mais vasta e complexa da existência.

"o vivente sopra sementes de perguntas tantas". O vivente, agora imbuído de novos questionamentos e reflexões, não guarda o conhecimento para si. Ele o dissemina, como sementes que se espalham para germinar em outras mentes. Isso sugere que o verdadeiro propósito da busca pelo conhecimento não é apenas encontrar respostas, mas também gerar novas perguntas, impulsionando um ciclo contínuo de aprendizado e descoberta.

O poema foi escrito para homenagear o poeta Adriano Aquele do Carvalho, em 2011. 






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