flores de sexta-feira
incidem na parede
palavras e coisas
pelos campos criativos
onde cultivamos orquídeas
e outras flores esquizofrênicas
de sexta-feira
o sol incide tão cheio
no quarto pela janela
entremeada pela cortina
a parede branca é uma tela
as sombras das nossas mãos
imitam voos de aves meninas
wasil sacharuk
notas:
"Flores de Sexta-feira" é uma delicada e instigante exploração da criatividade e da percepção, misturando o concreto do cotidiano com o abstrato da imaginação. Através de imagens sensoriais e uma linguagem sugestiva, o poema nos convida a observar o poder transformador da mente.
"o sol incide tão cheio no quarto pela janela entremeada pela cortina". Essa luz solar, filtrada pela cortina, cria um ambiente propício à introspecção e à brincadeira da imaginação. A "parede branca é uma tela", um espaço em branco que aguarda ser preenchido pelas projeções da mente.
É nesse palco improvisado que a magia acontece: "as sombras das nossas mãos imitam voos de aves meninas". As mãos, que são ferramentas de criação e expressão, projetam sombras que se transformam em seres alados. O termo "aves meninas" sugere leveza, inocência e a pureza da imaginação que ainda não foi cerceada. É um ato de pura brincadeira e invenção, transformando algo tão simples como a sombra em uma dança de formas e significados.
"Flores de Sexta-feira" é uma ode à capacidade humana de encontrar beleza e significado nas coisas mais simples. O poema celebra a liberdade de imaginação, onde o sol, uma parede branca e as sombras das mãos se unem para criar um espetáculo poético que transcende a realidade imediata e nos convida a brincar com as formas e os sentidos do mundo.