SACHARUK - ERRANTE
a Arquitetura da Memória
Entre demônios pessoais e casas seculares, a poesia falada nos convida a observar o tempo e as ruínas que ele deixa para trás.
Nesta performance intensa de spoken word com a poesia de WASIL SACHARUK, somos conduzidos por uma jornada que atravessa a implacabilidade do tempo, a aceitação dos nossos "demônios" internos e a nostalgia de um mundo construído na infância. Com uma entrega cênica marcada por pausas dramáticas e o acompanhamento musical que amplifica a melancolia, a poesia se desdobra como um lamento belo e doloroso sobre a fragilidade da existência humana.
ERRANTE começa com uma constatação cíclica sobre o tempo, que "dança, roda moinho, corrupio e atropelo das vidas pequeninas". Em seguida, o eu-lírico apresenta seus demônios não como entidades puramente malignas, mas como partes integrantes e complexas do ser — "metades de santos dos mitos e enigmas, legítimos signos da face humana de existir". Há uma aceitação dessas sombras que habitam "entre o alto do céu e o fundo do chão".
A performance ganha um tom de memória e inocência perdida ao descrever o menino que "brincou sozinho com palitos de fósforo e embalagens vazias", tornando-se o "legítimo arquiteto do seu mundo disperso". Essa imagem contrasta fortemente com o cenário final, onde o poeta nos transporta para casas cinzentas do século XVIII, cujas paredes "têm alma" e onde se ouvem apenas murmúrios em noites frias.
"O tempo, sempre o tempo. Rodas pirais agras de vento. Dança, roda moinho, corrupio e atropelo das vidas pequeninas."
"Meus demônios precários não trazem do ser a semente. São diabos errantes e indiferentes, metades de santos dos mitos e enigmas..."
"Ele brincou sozinho com palitos de fósforo e embalagens vazias. Legítimo arquiteto do seu mundo disperso..."
A performance entrega uma catarse sobre como lidamos com nossas memórias, nossos medos e a passagem inexorável dos anos. Uma experiência poética que ressoa muito depois que o vídeo termina.
📱 O tempo atropela nossas vidas pequeninas ou somos nós que construímos ruínas? 🕰️🍂
Aumente o som, sinta cada pausa e deixe a poesia te atravessar.
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