quarta-feira, 29 de outubro de 2025

murchaflor

  murchaflor

faço da estranha energia 
arrebentações de poesia
pouco de rima cercada de mágoa
sem cartola, coelho e brilhos
(troco o país das maravilhas)
pela solitude da minha ilha)
pouco de terra cercada de água
e finco a bandeira do exílio

meu cansaço de murchaflor
floresce do broto dos medos
desconheço como esquecê-los
e lograr teus doces desvelos

entre icebergs e folguedos
entendo os riscos do amor
cruzo do abismo ao esplendor
em busca dos meus arremedos

faço implodir meus castelos
arranco a raiz dos cabelos
a caneta presa entre os dedos
rabisca uma história sem cor

meu cansaço esfria o calor
e não faz detonar os levedos
dos olhos derramam colírios
a lavar esquizoides delírios

meus versos se viram em enredos
apartados de algum narrador
minha canção diluída na dor
do eco dos teus rochedos

wasil sacharuk





anjos tocam falácias

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