ausência

  ausência

poesia tão minha foi embora
jurou voltar nunca mais
levou sua escova de dentes
saiu pela porta da frente

não restou um resquício da paz
dos amores e dores de outrora
jogou suas malas lá fora
foi atracar noutro cais

restaram os versos recentes
desnorteados e inconsequentes
ecoantes estrofes abissais
dissonantes rimas simplórias

não sei o que faço agora
pois já fui um poeta capaz
minha verve sangra doente
a esperar pela musa ausente

e se ela voltar nunca mais
viverei das nossas histórias
a secar a saudade que chora
a falta que ela me faz

wasil sacharuk