rasgando e reunindo
percorro a vida a te navegar
águas que pairam
a me refletir
desbravo-te pelo louco querer
teu laço para me desatar
lágrima e o sorriso para me dividir
rasgando e reunindo o meu ser
wasil sacharuk
Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras. Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude. O amor foi descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade. Sacharuk recusou a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.