sábado, 27 de dezembro de 2025

fiat lux

 



fiat lux

lua
tu encantas
o divino Sol
na tua morada
resta apenas
a noite
parada

sem a promessa
de um amanhã
sem a pressa
das manhãs
sem promessas
vãs

faça-te luz
às avessas

wasil sacharuk



cantilenas

 

cantilenas

vejo de soslaio
os olhares estranhos
ora risonhos
ora tristonhos
enquanto traio
as parcas certezas

conviver é um ensaio
cortesias e delicadeza
hipocrisia tamanha
ora artimanha
ora inocência
e minha ignorância
sequer percebo

vejo um mundo placebo
 efêmeras cantilenas
morrem paixões amenas
por múltipla falência
esparramo reticências
nada tenho 
a ver com isso

cansei dos artifícios
padronizadas belezas
forjando segredos
que não me dizem respeito

vivo do meu jeito
ocupo minha vaga
deslizo meus dedos
sobre as chagas que encobrem
os meus próprios medos

wasil sacharuk





bem-te-vi

 bem-te-vi


bem-te-vi
teus olhos
despertarem sorrisos
bem-te-vi
beijos coloridos
bem-te-vi
dia inteiro
bem-senti o teu cheiro
ecoando em mim
bem-te-vi nas promessas
bem-que-quis tuas carícias
sob o sol das manhãs
de amor e preguiça

bem-te-vi
bem-te-vi
olhar e sorriso

Bem-te-vi
bem-te-vi
Sussurrado
repetido

bem-te-vi nos respiros
bem-que-quis
bem-que-senti
teu aroma
teu toque
ecoando em mim

wasil sacharuk 



visceral

 



visceral

outonal
o olhar desvenda
escaneia atravessa
com percepção cinestésica
espelho e raio

natural
o olhar sem artifícios
ou ensaios
princípio ou delicadeza
atrita na aspereza
das tessituras

olhar em camadas
fagulhas da alma
habita
sem trégua
sem saída
desce mais fundo
e mais
e mais

ancestral
olhar de fogo
desnuda e arde
clarividente emocional
revira a carne
revela o espírito

metal
do olhar
aço amolado
fere crava escancara
punhal entravado
afunda rasga
expõe fraquezas
e não cede

olhar em camadas
fagulhas da alma
habita
sem trégua
sem saída
desce mais fundo
e mais
e mais

visceral
olhar escorpião
alimenta e definha
na vida e na morte
na pele e no osso
não perdoa
não tolera
síntese de todas as quedas

wasil sacharuk



castelo

 



castelo

do profundo
irrompe a lava
esparrama sem trava
até virar pedra dura

um gosto absurdo
com notas de amargura
a certeza da finitude
arma suas agruras
ao encalço
das pegadas

uma só existência
é quase nada
ao peregrino
de tantas estradas
é preciso morrer
em vários momentos

e encerra
um senso de escuridão
certa dor inconfessa
reino de solidão
assombroso castelo
na paisagem das trevas

debaixo da terra
incontáveis lamentos
um vácuo
de pertencimento
ao abandono
da luz da razão

uma só existência
é quase nada
ao peregrino
de tantas estradas
é preciso morrer
em vários momentos

wasil sacharuk



harpia



harpia

és a virgem mais bela
que dança nos rochedos
sobrevoas cadeias
tal ave insana
guardiã da ilha
dos segredos

pelos bancos de areia
ouvi o encanto
da tua cantoria
voz que suplanta
o eco dos gritos

tua imagem profana
habita minha fantasia
sacrifício dos ritos
deusa dos mitos
entrave às logias

doce ambrosia
nos lábios contritos
embriaguez dos bardos
versos sussurrados
em saraus de poesia

teu canto me devora
tua voz me encadeia
és a morte que chora
a vida que me nega

ninfa dos medos
aos corações embarcados
que chegam ofegantes
pelos teus zelos
és a harpia
que convida
à morte aflita

Afrodite te deu
penas negras
o universo de pedra
fez a ti confinada
a eterna espera

e nenhum deus
nenhum outro Odisseu
silenciará teu canto
com ouvidos de cera

minha garganta rasgada
minha alma ferida
entrego-te a vida
nas tuas unhas afiadas

teu canto me devora
tua voz me encadeia
és a morte que chora
a vida que me nega

minha garganta rasgada
minha alma ferida
entrego-te a vida
nas tuas unhas afiadas

teu canto me devora
tua voz me encadeia
és a morte que chora
a vida que me nega

wasil sacharuk


 

domingo, 21 de dezembro de 2025

fantasma guru

 fantasma guru


criaste um fantasma
ao qual chamaste guru
num formato de miasma
diversos matizes de blue
um degradê de contrários
o norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis imaginários
da vã poesia
ousadias
e tantos balacubacos

mas no mundo dos fracos
viste planar simulacros
onde vingou a profecia
de decretar a baixaria
no vaivem dos hormônios
 dar indulto aos demônios
aos jogos e bruxarias

criaste fantasma da insônia
de uma tirana
balzaquiana
perfumada de alfazema
olhar de todas as cores
um precipício na vagina

entre os estratagemas
e o show de horrores
prevaleceu a sina
do holográfico fantasma guru
e seus dons mágicos
que resultaram trágicos
e decepcionantes
um tipo fora de linha 
de tempos muitos distantes

criaste o fantasma
em traje de gala
ao qual chamaste guru
que cala
e não fala
não pensa
não presta
uma besta
pretensa
o norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis
imaginários
da vã poesia
ousadias
e tantos balacubacos

wasil sacharuk



thanatos

 thanatos


por ti abri uma porta
e somente isso importa
já que pedias passagem
desliguei os benditos botões
mandei o ar dos pulmões
soprarem tuas asas
 leveza para a viagem
rumo à nova morada

lancei-te à própria sorte
no lapso do último corte
soltei a tua ancoragem
e isso baixou a pressão
que forçava o teu coração
a bater sem palavras
sem ritmo e sem emoção
bater a troco de nada

aliviou teu sofrimento
e também ao meu
logo disseste amém
logo eu disse adeus

wasil sacharuk





loucura e amor

 


loucura e amor

estranho
morder a mim mesmo
nem mesmo tento
tenho argumento
sou egoísta

sou sofista
instintivamente
autopreservado

mas os loucos
são loucos...
liberados
podem morder
a própria carne

é preciso saber
salteado e de cor
loucura e amor
são uma coisa só

a marca do sol
nos olhos amenos
e fraçoês pequenas
de letal veneno

mas os loucos
os loucos...
podem morder
a própria carne

é preciso saber
salteado e de cor
loucura e amor
são uma coisa só

mas os loucos
os loucos...
podem morder
a própria carne


wasil sacharuk



imersa


imersa

o silêncio absoluto
preenche a noite
a lagoa dança tão calma
faz repousar o açoite
que corta as estradas
que entorta as almas
até despertar a cidade
adormecida ao meu lado

Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia

Quero ser inundada
pela maré das verdades

faces desumanas
desvendam oráculos
das luzes embriagadas
no teto sobre a cama
até encerrar as vontades
no meu mundo quadrado

Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia

Quero ser tocado
pela minha insanidade

Nessa fase da lua
as dores são soberanas
e desafiam a morte
com lágrimas e gargalhadas
paixões tão insanas
a romper a estabilidade
do meu mundo inventado

Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia

Quero ser enganada
pela minha obviedade


wasil sacharuk






tarefa inglória

   

tarefa inglória

repete todo santo dia
faço sempre a mesma coisa
preciso calçar as galochas
e desfilar entre rochas
de mármore e granito

revisito o mesmo rito
enquanto a carne esfria
se o dito é poeta se lê poesia
se o cujo é crente se lê oração
mas no fim é só casca e caixão

eu já cavei tantos buracos
ouvindo o choro dos fracos
mandei alguns para o lado de lá
em golpes contritos de pá
e ofícios de carpideiras

mas juntar as caveiras
é a tarefa mais inglória
pois vejo uma sombra ilusória
que se lança e se esgueira
nas ruas de mármore frio

sempre sinto um calafrio
mas aprendi a manter a calma
pois sempre haverá uma alma
assombrando o terreno
em busca de um lugar ameno

wasil sacharuk






mímese dos desadornos

mímese dos desadornos

somos mimese
dos desadornos
alguns lua outros lâmpadas
mais outros rio alguns balde
 adversidades da estética

wasil sacharuk






segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

voo cego

 


voo cego

mulher
percorre teus dias
pela encosta dos rios
o assovio da ventania
e o impulso bravo das águas
levarão tristezas sem trégua
para outros quintos sombrios

as ondas batem nas pedras
espocam incertas
vertem lençóis de espuma
sob a regência do luar
e logo vou te encontrar
e espero que cantes
versos doces, amantes

quero voar contigo
num voo cego
pelas rotas perdidas
enfeitar tuas asas lindas
com cores de poesia

deixa as portas abertas
as janelas floridas
empresta amor e dá vida
pinta as coisas cinzentas
e logo vou te encontrar
e espero que cantes
versos doces amantes

quero voar contigo
num voo cego
pelas rotas perdidas
para ver tuas asas lindas
nas cores de poesia

wasil sacharuk



sina de estrada

 

sina de estrada

tenho certos instantes de cruel lucidez quando escorre essa insensatez que sempre dissolve meu conceito de tudo em certeza de nada e sumo por viadutos a cumprir as mercês dessa sina de estrada

percorro tanto chão sem olhar estrelas quando morre o imo da beleza eis que a vida resolve me vagar pelo mundo como alma penada num abismo profundo a remoer a aspereza e essa fome danada

desentendo o levante dessas ideologias que implode a alma das poesias enquanto desfere o veneno agudo da conversa fiada e num só segundo suga toda a energia que vem da tomada

conto que esse tempo não seja arbitrário só ele é que pode andar ao contrário e fazer pretérito desse rumo escuro desde vidas passadas
e subtrai os minutos para o desaniversário dessas favas contadas

wasil sacharuk








sobre a cama

 sobre a cama


no dia em que eu acordar
imerso em águas azuis
teu olhar diamante
permanente 
na minha fronte

deixarás sobre a cama
a minha fotografia

se eu acordar algum dia
ao desenredo das tuas tramas
farei novo entrançado 
esquecido das mágoas

na corrente das águas
lavarei os  enganos
lançarei ao oceano
as minhas amarras

na corrente das águas
o perdão pelos danos
lançarei ao oceano
o meu intento

se um dia eu acordar
e não sentir mais o vento
a lua o sol o chão
choverão os lamentos
na canção que te canta 

deixarás sobre a cama
a minha poesia

na corrente das águas
lavarei os  enganos
lançarei ao oceano
as minhas amarras

na corrente das águas
o perdão pelos danos
lançarei ao oceano
o meu intento

wasil sacharuk






oxigênio

 oxigênio


já te aprendi tanto
que a mim não enganas mais

desvendei rumos e recantos
fui o motivo dos teus desencantos
agora sei o que esconde os teus ais

e não venhas quebrar minha paz
com tuas mentiras insanas
faniquitos e artimanhas
dissimulações do teu pranto

já não me causas espanto
afinal sempre ganhas
com tuas manobras tacanhas
e esse olhar sacrossanto

agora não há mais jeito
nem projetos ou campanhas
que abafe o som do meu canto

pois saibas que tenho o direito
de me libertar do quebranto
e tragar o novo ar das montanhas

wasil sacharuk









marcada

  marcada


era eu

dura pedra

ao pó desmantelada

pelo crivo da tua vontade

eis que o desejo persiste

teu signo reside

na minha pele tatuada

no toque das tuas digitais

 

minh'alma resiste marcada

meu âmago

ninguém toca mais

meu gozo

anseia tua completude

ainda são teus

os meus ais


teu signo

na minha pele

teu signo

persiste e arde


marcada 

pela tua vontade

eu vivo

marcada

 ainda marcada


wasil sacharuk 




agridoce

 


agridoce 

se quisesse
deglutiria o parceiro
ao teto do céu
sabor agridoce
leite e mel

talvez fosse
amazona num corcel
a montá-lo inteiro
galope ligeiro
crinas nas faces

segredos ensejam enlaces
contos de pobres roteiros
ocultos no mundo cruel

e ainda se quisesse
mataria o companheiro
sem vingança ou ódio
só para cumprir um papel

de morte
com cheiro de noite
de sorte
com gosto de fel

wasil sacharuk 





Densidade, desejo e poder no poema de WASIL SACHARUK, onde o prazer e a dor coexistem numa atmosfera de beleza e ambiguidade . "Agridoce" é um poema sobre o amor como força destrutiva e criadora, onde desejar, possuir, elevar e aniquilar são gestos indissociáveis. Não há sentimentalismo, mas uma frieza ritual que torna o sentimento ainda mais inquietante — e verdadeiro. Leia, ouça e, se gostar, mostre esse poema inquietante aos amigos.

#literatura #poesia #musicabrasileiea #poema #músicaalternativa







branca

 



Branca 

Branca coberta em seus andrajos
sua tez reluzente fiel porcelana
flertava com as musas no parnaso
mas não era promessa soberana

Branca mimava aos farrapos
desembaraçadores das minas
tão donzela cosia os trapos
e nutria os animais na campina

Branca sequer quis ser princesa
e seu algoz abdicou da certeza
descansou sua faca na bainha

Branca renunciou à nobreza
sua vida dedicada a pobreza
consagrou-a  eterna rainha

wasil sacharuk



quebranto

 quebranto


se essa vida dá tantas voltas
eu quero abraçar a esfera
preciso retroceder
os relógios da terra

escolher coisas soltas
seguir as mesmas rotas
de quem nunca erra

trilharei caminho pronto
tentando apagar primaveras
talvez eu possa esquecer
dissipar as minhas quimeras

pois tenho andado tanto
a remoer desencantos
por toda uma era

quero sarar do quebranto
tocar as notas certas
e quando  amanhecer
deixar minha casa aberta
para secar esse pranto

e murmurar acalanto
quando a saudade aperta

wasil sacharuk







linha de frente

 




linha de frente

vejam toda essa gente
gado apartado em travessia
procissão de eus enfileirados
fracos espíritos domesticados

a vida quer ser revelia
necessita ser insurgente
ter os brios na linha de frente
para desbravar novas vias

levante!
é hora de acordar
em frente!
o mundo precisa mudar

sempre os mesmos resultados
repetidos atos malfadados
mergulho das almas vazias
no rio das coisas indiferentes

é preciso ver noutra lente
resgatar a ideia e a poesia
aprender as lições do passado
deixar todo medo de lado

levante!
é hora de acordar
em frente!
o mundo precisa mudar

e quando acender novo dia
as coisas serão diferentes
há muito chão pela frente
ao encontro da sabedoria

wasil sacharuk




crescer por amor

  crescer por amor 


quando eu era criança
na casa havia goteiras
pingavam noites inteiras
e ritmavam a dança
dos sorrisos no quintal 

nada eu sabia acerca do mal
na esteira do tempo que avança
só o bem ficou na lembrança
onde ele é o imortal
guardião da inocência 

eu conheci as carências
entendi o destino natural
entre as luzes e o mundo abissal
e dessas experiências
colhi vitórias e desatinos 

agora não sou mais menino
tenho novas referências
das tecnologias à obsolescência
mas preservo o sentido genuíno
de querer crescer por amor

wasil sacharuk





perverso e vivo

 perverso e vivo


Tudo o que fiz foi insinuar distâncias, era eu e era o sol lá e cá. Joguei na terra, nas adjacências do caminho, turvas imagens de cores e espinhos. Retirei o sal, esfreguei nos meus braços a fome do oceano. Num mergulho inusitado, rasguei uma fenda na terra e separei o vale do pântano. Do alto do monte vislumbrei minha obra. Artefinalizei ideias secas espargidas pelos prados verdes. Cobri o ódio com um pano negro e, no interior de uma caixa, fiz meu reduto. Agora o chão ferve a chuva de ontem. Campos mortos nos tempos sem horas. Meu nome escrito na lousa anuncia um tempo de náuseas. Desço os degraus do submundo. Quebro as lâmpadas. Arranco as torneiras. Quando o tempo não sabe mais andar sobre as pernas. Quando a palavra conta as misérias e a perversão. Ando nu pela crosta a desvendar a rapinagem das aves. Ando assim, perverso e vivo.

wasil sacharuk








amores líquidos

 amores líquidos🎼🎻


amores líquidos
sabem ouvir silêncios
são cera que percorre
as cordas dos violinos
derramam seu opus
sobre as águas turvas

amores líquidos
desafiam a secura
que perece os corpos
não temem a chuva
que alastra em ondas
de tantos capítulos

amores líquidos
donos da própria vontade
fluem mares indômitos
na corrente da liberdade
emergem à superfície
para beber poesia

amores líquidos
banhados nas mágoas
onde se juntam as águas
onde não há calmaria

wasil sacharuk







sábado, 6 de dezembro de 2025

quando flui mansa

 quando flui mansa


amigo
licença
percorro lugares
tal cometa
perfuro os ares
galáxias imensas
mas corrente de rio
quando flui mansa
é que me embala
é que me encanta

jogo sementes
num imenso quintal
de magnólias
e gerânios
nada mal
para a velha águia
que cruza oceanos

mas se fico parado
perco o ônibus

mas se fico parado
perco o ônibus

amigo
nem a ciência
decifra a emoção
que veste o sabiá
de tanta eloquência
na corrente de rio
quando flui mansa
é que ele canta
e que ela dança

mas se fico parado
perco o ônibus

mas se fico parado
perco o ônibus

wasil sacharuk







sexy floral

 

🌹 sexy floral 💐

menina linda inspira
venta brisa do mar
para assaltar os seus poros
juro que não é mentira
o que eu quero cantar
cá nesses versos canoros🎵

menina linda visita
os animais no quintal
ora tange as galinhas 🐔🐤
ora apara o jardim
vestindo o sexy floral
depois procura por mim
no terreiro do vizinho
onde a mamãe pardal
na laranjeira fez ninho

menina linda é linda
por isso é tão amostrada
nunca fica sozinha
que logo deite comigo
na minha rede cheirosa
quero beijar sua linha
que desce desde o umbigo
até achar sua rosa

menina linda inspira
a noite inteira provar
mil sonhos deliciosos
juro que não é mentira
o que então quis cantar
cá nesses versos canoros🎵

wasil sacharuk






orgasma-me

 orgasma-me


catapulta-me
ao olhar desenxabido
aos risonhos fluidos
ao altar dos meus sonhos
ao torpor dos sentidos

entrego-me
ao teu rito
teu toque
teus lábios
meu infinito

disponha-me
transmuta em libido
meu olhar macambúzio
sentimentos intrusos
meu pensar descabido

entrego-me
ao teu rito
teu toque
teus lábios
meu infinito

orgasma-me
irrompe os infusos
nas tuas feitiçarias
e o que for permitido
provoca-me
um pouco de dor
esquece os juízos
sejas livre poesia

wasil sacharuk



madalena

 masalena


esfria o ímpeto
madalena
pendura a ira
no cabide dos versos

escuta algum disco
ou vai fazer sexo
nutre as orquídeas
as gramíneas
e as verbenas

ainda que sejas maria
a distinta madame
ou qualquer helena
derrama café no tapete
da tua falsa aristocracia

espera um dia
madalena
o mundo não será o culpado
dos teus próprios problemas
melhor aplacar tua fúria 
e a vida valerá a pena

wasil sacharuk







colibri

 colibri


beijar-te as flores febris 
eis o que sempre eu quis
fazer fraquejar calafrios
poisar-me em ti colibri

beber-te néctar do céu
margaridas e flors de mel
vermelhas rosadas cordelis
de amores e sabores anis

na secura de um galho senil
espinhei meu poema sombrio
a esperar os teus versos gentis

de seiva de tronco de fel
de pólen espargido em papel
me fizeste deixar de ser gris

wasil sacharuk







flordolhar

 {•} {•} flordolhar


ela tem no olhar
um querer sentinela
passagem de raios
nuanças complexas
percorre arquedutos
abre portas secretas
e floresce em suas íris
lume de primavera

incandescente visagem
cores furtivas diversas
raideluz em seu rabo
coriscado de estrelas
relâmpago relapso
risca corte sem métrica
tremeluzem suas pálpebras
tal a chama das velas

wasil sacharuk





segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

insights fragmentados

 

insights fragmentados 

fui ter com fantasmas
vasculhar outros planos
festins de entes humanos
entre confusos miasmas
no sarau dos profanos
entoavam retórica divina 

eu era frágil menina
enfeitada de rosas e branco
signo de graça e encanto
e da pureza genuína
coroa de círculo e ramos
e fome de enxofre e inferno 

eu quis desvendar o mistério
e lancei tantas perguntas
e agora exausta espero
um sinal
 as respostas
o desígnio
o dote 

no corte violento da morte
clamei a presença de deus
clamei Elvis Presley
supliquei Asmodeu
qualquer outra sorte
mas ninguém respondeu
para aplacar o meu medo 

a sina esconde segredos
insights fragmentados
insanos juízos alados
escritores dos enredos
e dos atos predestinados
tudo o mais
que eu puder inventar

wasil sacharuk







domador

 


domador

hoje colhi alguns bons motivos
de amor colhe flor plantador colhe rosa
nos campos férteis de um recomeço
então eu senti meu espírito travesso

estou inclinado a riscar uma prosa
plantaflor colhe amor colhedor lenitivo
que tenha um enfoque mais positivo
onde cada frase seja primorosa

ando esgueirado de qualquer tropeço
de medo arremedo arredor arremesso
em meio ao ciclone dessa rebordosa
vivo tentando ser digno e altivo

logo pensei no valor de estar vivo
pensa amor sabedor pensador polvorosa
e relembrei o que sempre esqueço
ando ocupado em pensar ao avesso

assim percebi quanto a vida é curiosa
catamor cataflor catador e cativo
preciso um contato mais sensitivo
para domar minha alma teimosa

wasil sacharuk





além da caverna

 🔦⚖️ além da caverna 📝

poema de WASIL SACHARUK 

além da caverna

não sou confinado na geometria
sequer outro adepto das idolatrias
desprezo promessas de mundo melhor

nada me priva da luz do sol
deuses juízes não me ameaçam
nenhuma lanterna de luz escassa
toma o espaço do meu arrebol

não tenho a posse da sabedoria
renego o batismo da hipocrisia
só faz recitar escrituras de cor

tracei o destino nos dias que passam
por sombras que somem pelas paredes
se não sair para caçar serei caça
além de morrer sem matar minha sede

não estou sob um jugo à revelia
não sou silenciado e digo heresia
não sou outro engano do vosso senhor

meu livro sagrado guarda a poesia
nos versos latentes da ontologia
que só admite o poder do amor

wasil sacharuk

bob

 bob 


bob, as velhas cruzadas
foram partilha de estradas
doce esteio de poesia
nosso norte era o dia
da consciência iluminada 

tua voz viajou na lufada
encheu minha vida vazia
sem culpa e de alma nua
escriba de versos na lua
não carecia mais nada 

o vento virou de repente
arrancou nossos cabelos
enquanto caíam os dentes
perdeu toda a simplicidade
murchou a flor da idade 

por isso, parceiro, te digo
serás sempre caro, amigo
mas agora o que importa
é a segurança no abrigo
passar a chave na porta 

agora eu não sonho mais
nem quero olhar para trás
desisti daquelas promessas
e hoje procuro às avessas
outro conceito de paz 

o mundo é carga pesada
e a vida levada na marra
banal e tão desfilosofada
ninguém ouve tua guitarra
nem mesmo remasterizada 

mas resta alguma saudade
entre o desejo e o lamento
escuto o murmúrio do vento
cantando aquelas verdades
que foram perdidas no tempo

wasil sacharuk











trancarrua das almas


Trancarrua das Almas

quero entender os agouros
dialética das minhas dores
e a solidão dessas luas
meu senhor trancarruas
hospedeiro das almas

quero poisar outras cores
na noite de negro e ouro
a espera do dia vindouro
fronteira da vida e da morte
acaso sejam contrárias

quero uma capa igual a tua
senhor trancarrua das almas
sobre meu túmulo sem flores
a esconder meus tesouros
medalhas das minhas batalhas

quero um evento simplório
evite outro circo dos horrores
a mentira que se insinua
a verdade que se diz crua
apenas a pena que valha
quero cerrar os meus olhos
morrer atento aos rumores
no berço dos meus esplendores
guardados junto aos entulhos
e viver das migalhas

wasil sacharuk





nascituro

 nascituro 


cheguei nascituro
no dia presente
portador de incertezas
demais eloquentes
e umbigo partido
com livre tesoura
vim no tubo de óleo
que hidrata assaduras

cheguei bolhadágua
que pinga das fontes
furtacores dos prismas
irreais diamantes
dono rico do brilho
calhorda das ruas
vim pela delicadeza
indiscreta da lua

cheguei no flash
de insight errante
angelical urubu
ou delicado elefante
diabo resplandescente
da aura mais pura
vim na estrela cadente
na noite escura

cheguei atrasado
no próximo instante
na primeira lâmina
da cruel cartomante
escorpião que envenena
com sua picadura
vim da dor que me mata
e da dor que me cura

wasil sacharuk







domingo, 30 de novembro de 2025

apneia

 

Apneia 

Bolinei seu nariz com a pontinha do indicador. Surpresa, ela gentilmente invadiu profundezas do meu olhar e sorriu divertida, Ergueu sutilmente o cantinho da boca. Bem sei da frieza das noites em que ela adormeceu no jardim contando estrelas cadentes. Por isso sorri para ela também.

Corremos, dançamos e  mergulhamos desnudas numa gota de orvalho. Exploração infinita que durou uma apneia de sete segundos, minutos, anos. Depois, desafinadas cantamos.

Logo, toda molhada, ela se abriu toda, estrelada e lânguida. Assim percorri  meus dedos pela intimidade dos cachos dos seus cabelos que, enroscados num canto da lua, despencaram incertos pelo breu.

Generosa, beijou meus lábios de fogo e eu, fascinada,  entrei em seus olhos.

Jamais a esqueci, portanto a botei para morar bem dentro de mim, misturada com a poesia que corrompe  os fluidos e esculhamba os sentidos.

wasil sacharuk








magnífica

 magnífica 


desnutri os tolos preceitos
diluí a razão das temáticas
foste tu recoberta de tintas
ao torpor da frieza realista

encobri manchas fálicas
 cores primárias ao peito
capturas de formas e gestos
linguagem nua sem retórica

desprezei paisagens cinzentas
as mortes brancas e pretas
desenhei uma fala drástica
nos lábios vermelhos sedentos

misturei nas tintas meus restos
derramei as vontades pictóricas
fiz suave o atrito das cerdas
a lamber tuas entranhas malditas

e te descrevi tão explícita
na orgia do meu manifesto
ventre aberto inconfesso
donde irrompes mulher magnífica

wasil sacharuk







bailarina das luas

   bailarina das luas

dissolvo-te as reentrâncias
ensaio cores nuanças
reviradas nas águas
para lamber tuas pernas

descubro-te com feixes
de espíritos da terra
talvez sejam peixes
criaturas estranhas
ou almas insanas
suplicando teus átomos

e faço-te em matizes
das minhas cerdas
com cuidado
para riscar os deslizes
os contornos abstratos

sinto-te nas cores
tal fossem sabores
revestidos na sépia
de inventados outonos
a negar os calores
e as primaveras

inventei a tua nudez
aos auspícios da lua
ela louca se fez
perdida na vastidão
dos seus vícios
de poesia e de escuridão

certo dia
peguei tua mão
e gravei em sua palma
traços de incertezas
e o açoite da espera
que ronda as noites
da minha janela

bailarina das luas
e dos arcanos
te fazes mais bela
se danças nua
no teu oceano

eu somente
estrela cadente
busco tua senda
na angustia da queda
revelo-te silente
tal quem nada espera

wasil sacharuk







pirofagia






pirofagia

sou bruxa mulher
e meu diabo só quer
minha queda em pecado

comer-me a alma perdida
degredada dos quadros
de qualquer remissão

bruxa mulher
meu diabo só quer
vibrar sobre a melodia
que minha língua recita
poesia inscrita
com sílabas poucas

sou mulher
bruxa mulher
meu diabo só quer
explodir o seu fogo
no céu da minha boca


wasil sacharuk






poesia dos desadornos

  poesia dos desadornos

ela ama as coisas
que assaltam os poros
que perfuram a pele
que podem voar ultraleve
mesmo na queda dura

ela toca sua rosa
sente os espinhos
a dor e a textura
as entregas gostosas
límpida laguna
para mergulhar

poesia dos desadornos
declamo sem ar
aos cumes do seu corpo
que expande e amingua 
na ponta da língua
desenho contornos

ela ouve os acordes
sinfônicos do violino
quando meus dedos finos
quedam seus lóbulos
poisam em seus lábios

ela ama a mão hábil
espalmada em sua nuca
quando o desejo ardente 
destrava os seus dentes
entreabre sua boca
e explora recônditos
 
poesia dos desadornos
que faz desaguar
 a ânsia das vertentes 
na ilha entre suas pernas
sua flor desabrocha
suplica que eu a contemple

wasil sacharuk







tateia

 tateia

nas pequenas mortes
o corpo festivo
não mais te pertence
tua mão sem cautela 
tateia 

 seiva vertente 
percorre-te os lábios
desabrochado botão 
teu olhar vidrado 
sorri 

nas pequenas mortes
o toque orvalhado contrai
o atrito da palma
precipitam os dedos
ao abandono dos ais

wasil sacharuk











sábado, 22 de novembro de 2025

religare

 religare


luz
tu que provéns
de todo movimento
de todo momento
que emana do humano
do arcano
do engano e do medo
do arremedo
daquilo que é insano
e também é brilhante
um diamante

religare, religare

ao cerne da verdade
na insana sanidade
sem santa trindade
religare um cometa
um capeta
um gameta
que fecunda a vida
faz vontade
incompreendida

é o pecado
prejulgado
e eu peço perdão
mas não sei a razão
já me fiz perdoado

religare, religare

com a faca afiada
que antecede a mim
para dar o fim
na necessidade
de eleger divindade
para que eu possa pedir
ter um motivo para sentir
o meu contato com o mundo

o tal poço sem fundo
que é a normalidade

religare com a liberdade

wasil sacharuk



sol ensimesmado

 sol  ensimesmado 


o sopro da noite
destrava a cancela
do cavalo confinado
bicho selvagem alado
em disparada cabal
atravessa o açude

amiúde
a lua se vinga
mas nunca desama
abraça a luz que encanta
quando o sol
fica ensimesmado
a respirar as palavras
a suspirar os sentidos

o vento da noite abana
as águas que banham
os pés delicados
tilinta o cristal
e os lindos sapatos
decolam pelo ar

apesar
que a lua mingua
e nunca desmancha
é risco de luz que avança
quando o sol
fica lá do outro lado
a respirar as palavras
a suspirar os sentidos

wasil sacharuk






bálsamo

 bálsamo (tristeza arraigada)


 sou apenas alguém 
simples tal a palavra
mas verdadeira amiga
que te convida a voar
fazer da lua o abrigo
e travessuras no ar

sorver da noite 
a delicadeza
descansar na beleza
desatar nossos medos
e logo acordar mais cedo
com meia dúzia de rimas
contra a dor

arrancarei do engano
essa estranha tristeza
vertente de águas
nem de amores ou mágoas
quero ser águia ou anjo
voaremos até quando
despencarem segredos

(quero ter pés descalços
e palavras desnudas)

vem, abre as asas
não deixa-as mudas
rasga no céu um caminho
voa sobre as casas
não me deixa sozinha
prometo que não te deixo 
olhar para baixo

acima das certezas
e também incertezas
tu me verás cabisbaixa
eu pedirei um sorriso
ou talvez outro abraço

tua face no meu ombro
teus enganos, fardos 
talvez se reduza o espaço
entre os escombros
dos mundos encantados

apenas repousas
e também me acolhes
me sinto confortável
no teu toque delicado

quero colher um lindo sorriso
entre as tuas preocupações
que nascerá clandestino
cheiro forte como bálsamo

e quando eu voltar
cantarei uma torta canção
no reverso da estrada
tentando esquecer o refrão
dessa tristeza arraigada

wasil sacharuk








jardim de espinhos

  jardim de espinhos


 o tempo das horas ⌛ estanca e a lua se espanta ä irrelevância do mar das respostas - tu andas sobre a firmeza dos passos engolindo as novidades que os ventos te sopram - não há efemérides nas crateras espaciais ✨ - tu amanheces - face molhada de orvalho - o sabor amargo dss gotas ainda refresca e os cristais congelam as vísceras - quanto de amor ainda tens debaixo de memórias vivas e sentimentos brutos? quanto de amor ainda tens ocupando poros e alamedas  do teu lindo jardim de espinhos?

wasil sacharuk



vento baseado

 vento baseado 


 venho de longe
trago no alforje
um saco de pão
um pouco de mel
a garrafa de cana
meu livro de papel
e uns quarenta gramas

percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
onde formigas sucumbem
aos saltos dos sapatos
quando pisam as nuvens

vivo das vidas que vivem
e não assinam contratos
somente se servem
da tolice dos atos
dos ateus dos incréus
e dos crentes sacanas

percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
onde a ideia se nutre
da crueza dos fatos
derruba engana derrama

hoje comprei um pijama
que tem estampado
o instigante retrato
do chapolim colorado
e seu letal movimento
precisamente calculado

percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
na efeméride dos tempos
na companhia do vento
enquanto vento baseado

wasil sacharuk



jazigo das orquídeas

 jazigo das orquídeas 


o verso faca afiada 
sem piedade sem dó
corta lanha entorta
revira o avesso
reduz ao pó
o sangue que verte de mim

verso ruína sem fim
coliseu das cinzas
desvelado jardineiro
das reminiscências híbridas
e negras orquídeas
estranhamente belas

wasil sacharuk






quarta-feira, 19 de novembro de 2025

máquina

   máquina

pinga respinga
repica espirra replica
as águas varrem
martelam a terra
esculpem as pedras
murmuram marés
cinzentas de ocasos

a máquina de fazer chuva
 pode acionar as torrentes
derramá-las dos vasos
expulsá-las dos canos
entorná-las dos cântaros
 inflar oceanos
encher a concha das mãos

wasil sacharuk












clichê de outono

  clichê de outono

eles passam sequer reparam
a folha seca flanando suave
quando despenca da árvore

maldizem a noite de frio
os pingos gelados da chuva
praguejam ao contratempo
das mudanças de temperatura

não veem que o outono é feito
com nuanças de poesia
e tons sépia de cura
que o silêncio da melancolia
convida a dançar na rua

wasil sacharuk





águas claras

  águas claras

A maré é o desejo da lua
Gela a alma coesa em cristais
Utópicas moléculas espúrias
Águas sujas em mananciais
Sequestradas das bocas das ruas

Claras não são sempre as águas
Lacrimais vertentes de oceano
As ondas empurram as mágoas
Ribeirões estouram os canos
As correntes somente deságuam
Seus latentes instintos insanos

wasil sacharuk





sufoco do tempo

 sufoco do tempo


o tempo
anda perdido do tempo
sufoca nas ruas silentes
sucumbe ao assopro do vento
satura quarenta porcento
precisa ser intubado
repassa cenas do passado
escuta vozes distantes
perambula claudicante
dorme na rua cansado
 morto-vivo ao relento

wasil sacharuk












gotículas de sal

 gotículas de sal


epístolas do mal
tendes clemência de nós
os fiéis e os descrentes
ontem era só moral
mas agora é diferente

perdi a clareza da visão
prendi a consciência na cela
conquistei a cegueira da razão
a noção caiu pelas tabelas 

canícula e sol
que não queimem a nós
no fogo incandescente
ontem era tudo normal
mas agora o mundo sente

aprendi que chorar é bom
então quero chorar oceano
choro até se ouço o som
do choro que canta
o desprezo humano

gotículas de sal
derramadas de nós
renascente nascente
hoje terá temporal
e logo terá enchente 

wasil sacharuk





rosa vermelha orquídea negra

 rosa vermelha orquídea negra


enquanto dormes
contar-te-ei as novas
das mil e uma
longas longas longas
noites silenciosas

entenderás
os versos de distração
difusos nas ondas 
sobem sobem sobem
perpassam muros
da razão

sentirás
o velho sopro obscuro
frio anjo demônio
andejo dos umbrais

saberás dos tempos reais
e seus sonhos
artefatos de poesia
céus e infernos
algo para não acreditar
algo para esquecer
queimar os cadernos

rosa vermelha
orquídea negra
floreiras brancas do descanso
chamam alegria ao imenso jardim

a vida é córrego
e onde a morte 
jorra nascente
rebrilha luz estelar

rosa vermelha
orquídea negra
não há sacrifício 
nas cruzes
se o capim verde
cresce em volta

rosa vermelha
orquídea negra
não há sacrifício 
pois a vida é córrego
e onde a morte 
jorra nascente
rebrilha luz estelar

wasil sacharuk








terça-feira, 18 de novembro de 2025

mana

 mana


mana
uma presença diferente
senti junto a mim
pela noite silente
tocaia da lua minguante
fiat lux no meu abrigo

creias no que te digo
hoje todos viram luzes
por detrás das cruzes
iluminando as pedras
e criaturas estranhas
vindas de outras eras

mana, minhas ideias
são meras quimeras
ou tolices tamanhas
apenas em outras esferas
podem ser entendidas

em nossas distintas vidas
cruzamos as mesmas estradas
paramos nas mesmas paradas
trilhando o curso dos amantes
tão livres
tão claros
e distantes

hoje vi os caminhantes
andando depressa
carregando pastas negras
e via de regra
vi os meninos da vila
que fica aqui ao lado
queimando uma vela
dançando descamisados 
no estacionamento 
do supermercado

mana, um dia ensolarado
estará chamando por nós
com seus raios energizados
quentinhos de felicidade
a secar as poças nas ruas

mas se chegar nova lua
nesse canto da cidade
por onde eu ando sozinho
te direi da necessidade
de contar com teu carinho

wasil sacharuk





ana e os pombos

 Ana e os pombos


trago versos
em sementes de paz
imaculadas
se nao abarcar meus avessos
eu sou nada
além da poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

das questoes lanço sementes
aos pombos da paz e da pedra
vislumbro imagens da sorte
no vácuo entre vidas e mortes

procuro caminhos à senda
detrás dos traços aparentes
alma que clama faminta e urgente
por um universo que a entenda

quero saber os conceitos
conhecer os normais
e as fadas
tenho braços abertos
mas nao sou alada
apenas sou poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

o percurso das vidas é o mote
que me faz viva e forte
na fonte dos dias de contendas
conflitos de espécies diferentes

em cada aurora sigo em frente
já aprendi que nem sempre se acerta
que no aço afiado reside um corte
e nem todo louco é o Dom Quixote

estendo laços convexos
dou meu pao aos animais
nativos da minha calçada
de rumos incertos
e alma libertada
a colorir poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

quero capturar o signo das lendas
assim entender os desígnios da gente
encontrar as razoes do que se sente
imprimir um sorriso na alma serena

para me recriar poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

wasil sacharuk





anjos tocam falácias

  anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...