bálsamo (tristeza arraigada)
sou apenas alguém
simples tal a palavra
mas verdadeira amiga
que te convida a voar
fazer da lua o abrigo
e travessuras no ar
sorver da noite
a delicadeza
descansar na beleza
desatar nossos medos
e logo acordar mais cedo
com meia dúzia de rimas
contra a dor
arrancarei do engano
essa estranha tristeza
vertente de águas
nem de amores ou mágoas
quero ser águia ou anjo
voaremos até quando
despencarem segredos
(quero ter pés descalços
e palavras desnudas)
vem, abre as asas
não deixa-as mudas
rasga no céu um caminho
voa sobre as casas
não me deixa sozinha
prometo que não te deixo
olhar para baixo
acima das certezas
e também incertezas
tu me verás cabisbaixa
eu pedirei um sorriso
ou talvez outro abraço
tua face no meu ombro
teus enganos, fardos
talvez se reduza o espaço
entre os escombros
dos mundos encantados
apenas repousas
e também me acolhes
me sinto confortável
no teu toque delicado
quero colher um lindo sorriso
entre as tuas preocupações
que nascerá clandestino
cheiro forte como bálsamo
e quando eu voltar
cantarei uma torta canção
no reverso da estrada
tentando esquecer o refrão
dessa tristeza arraigada
wasil sacharuk