sábado, 27 de dezembro de 2025

harpia



harpia

és a virgem mais bela
que dança nos rochedos
sobrevoas cadeias
tal ave insana
guardiã da ilha
dos segredos

pelos bancos de areia
ouvi o encanto
da tua cantoria
voz que suplanta
o eco dos gritos

tua imagem profana
habita minha fantasia
sacrifício dos ritos
deusa dos mitos
entrave às logias

doce ambrosia
nos lábios contritos
embriaguez dos bardos
versos sussurrados
em saraus de poesia

teu canto me devora
tua voz me encadeia
és a morte que chora
a vida que me nega

ninfa dos medos
aos corações embarcados
que chegam ofegantes
pelos teus zelos
és a harpia
que convida
à morte aflita

Afrodite te deu
penas negras
o universo de pedra
fez a ti confinada
a eterna espera

e nenhum deus
nenhum outro Odisseu
silenciará teu canto
com ouvidos de cera

minha garganta rasgada
minha alma ferida
entrego-te a vida
nas tuas unhas afiadas

teu canto me devora
tua voz me encadeia
és a morte que chora
a vida que me nega

minha garganta rasgada
minha alma ferida
entrego-te a vida
nas tuas unhas afiadas

teu canto me devora
tua voz me encadeia
és a morte que chora
a vida que me nega

wasil sacharuk


 

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