sina de estrada
tenho certos instantes de cruel lucidez quando escorre essa insensatez que sempre dissolve meu conceito de tudo em certeza de nada e sumo por viadutos a cumprir as mercês dessa sina de estrada
percorro tanto chão sem olhar estrelas quando morre o imo da beleza eis que a vida resolve me vagar pelo mundo como alma penada num abismo profundo a remoer a aspereza e essa fome danada
desentendo o levante dessas ideologias que implode a alma das poesias enquanto desfere o veneno agudo da conversa fiada e num só segundo suga toda a energia que vem da tomada
conto que esse tempo não seja arbitrário só ele é que pode andar ao contrário e fazer pretérito desse rumo escuro desde vidas passadas
e subtrai os minutos para o desaniversário dessas favas contadas
wasil sacharuk