perverso e vivo
Tudo o que fiz foi insinuar distâncias, era eu e era o sol lá e cá. Joguei na terra, nas adjacências do caminho, turvas imagens de cores e espinhos. Retirei o sal, esfreguei nos meus braços a fome do oceano. Num mergulho inusitado, rasguei uma fenda na terra e separei o vale do pântano. Do alto do monte vislumbrei minha obra. Artefinalizei ideias secas espargidas pelos prados verdes. Cobri o ódio com um pano negro e, no interior de uma caixa, fiz meu reduto. Agora o chão ferve a chuva de ontem. Campos mortos nos tempos sem horas. Meu nome escrito na lousa anuncia um tempo de náuseas. Desço os degraus do submundo. Quebro as lâmpadas. Arranco as torneiras. Quando o tempo não sabe mais andar sobre as pernas. Quando a palavra conta as misérias e a perversão. Ando nu pela crosta a desvendar a rapinagem das aves. Ando assim, perverso e vivo.
wasil sacharuk