Mostrando postagens com marcador THANATOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador THANATOS. Mostrar todas as postagens

fantasma guru

 fantasma guru


criaste um fantasma
ao qual chamaste guru
num formato de miasma
diversos matizes de blue
um degradê de contrários
o norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis imaginários
da vã poesia
ousadias
e tantos balacubacos

mas no mundo dos fracos
viste planar simulacros
onde vingou a profecia
de decretar a baixaria
no vaivem dos hormônios
 dar indulto aos demônios
aos jogos e bruxarias

criaste fantasma da insônia
de uma tirana
balzaquiana
perfumada de alfazema
olhar de todas as cores
um precipício na vagina

entre os estratagemas
e o show de horrores
prevaleceu a sina
do holográfico fantasma guru
e seus dons mágicos
que resultaram trágicos
e decepcionantes
um tipo fora de linha 
de tempos muitos distantes

criaste o fantasma
em traje de gala
ao qual chamaste guru
que cala
e não fala
não pensa
não presta
uma besta
pretensa
o norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis
imaginários
da vã poesia
ousadias
e tantos balacubacos

wasil sacharuk



thanatos

 thanatos


por ti abri uma porta
e somente isso importa
já que pedias passagem
desliguei os benditos botões
mandei o ar dos pulmões
soprarem tuas asas
 leveza para a viagem
rumo à nova morada

lancei-te à própria sorte
no lapso do último corte
soltei a tua ancoragem
e isso baixou a pressão
que forçava o teu coração
a bater sem palavras
sem ritmo e sem emoção
bater a troco de nada

aliviou teu sofrimento
e também ao meu
logo disseste amém
logo eu disse adeus

wasil sacharuk





loucura e amor

 


loucura e amor

estranho
morder a mim mesmo
nem mesmo tento
tenho argumento
sou egoísta

sou sofista
instintivamente
autopreservado

mas os loucos
são loucos...
liberados
podem morder
a própria carne

é preciso saber
salteado e de cor
loucura e amor
são uma coisa só

a marca do sol
nos olhos amenos
e fraçoês pequenas
de letal veneno

mas os loucos
os loucos...
podem morder
a própria carne

é preciso saber
salteado e de cor
loucura e amor
são uma coisa só

mas os loucos
os loucos...
podem morder
a própria carne


wasil sacharuk



imersa


imersa

o silêncio absoluto
preenche a noite
a lagoa dança tão calma
faz repousar o açoite
que corta as estradas
que entorta as almas
até despertar a cidade
adormecida ao meu lado

Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia

Quero ser inundada
pela maré das verdades

faces desumanas
desvendam oráculos
das luzes embriagadas
no teto sobre a cama
até encerrar as vontades
no meu mundo quadrado

Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia

Quero ser tocado
pela minha insanidade

Nessa fase da lua
as dores são soberanas
e desafiam a morte
com lágrimas e gargalhadas
paixões tão insanas
a romper a estabilidade
do meu mundo inventado

Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia

Quero ser enganada
pela minha obviedade


wasil sacharuk






tarefa inglória

   

tarefa inglória

repete todo santo dia
faço sempre a mesma coisa
preciso calçar as galochas
e desfilar entre rochas
de mármore e granito

revisito o mesmo rito
enquanto a carne esfria
se o dito é poeta se lê poesia
se o cujo é crente se lê oração
mas no fim é só casca e caixão

eu já cavei tantos buracos
ouvindo o choro dos fracos
mandei alguns para o lado de lá
em golpes contritos de pá
e ofícios de carpideiras

mas juntar as caveiras
é a tarefa mais inglória
pois vejo uma sombra ilusória
que se lança e se esgueira
nas ruas de mármore frio

sempre sinto um calafrio
mas aprendi a manter a calma
pois sempre haverá uma alma
assombrando o terreno
em busca de um lugar ameno

wasil sacharuk






mímese dos desadornos

mímese dos desadornos

somos mimese
dos desadornos
alguns lua outros lâmpadas
mais outros rio alguns balde
 adversidades da estética

wasil sacharuk