Mostrando postagens com marcador AGRIDOCE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AGRIDOCE. Mostrar todas as postagens

voo cego

 


voo cego

mulher
percorre teus dias
pela encosta dos rios
o assovio da ventania
e o impulso bravo das águas
levarão tristezas sem trégua
para outros quintos sombrios

as ondas batem nas pedras
espocam incertas
vertem lençóis de espuma
sob a regência do luar
e logo vou te encontrar
e espero que cantes
versos doces, amantes

quero voar contigo
num voo cego
pelas rotas perdidas
enfeitar tuas asas lindas
com cores de poesia

deixa as portas abertas
as janelas floridas
empresta amor e dá vida
pinta as coisas cinzentas
e logo vou te encontrar
e espero que cantes
versos doces amantes

quero voar contigo
num voo cego
pelas rotas perdidas
para ver tuas asas lindas
nas cores de poesia

wasil sacharuk



sina de estrada

 

sina de estrada

tenho certos instantes de cruel lucidez quando escorre essa insensatez que sempre dissolve meu conceito de tudo em certeza de nada e sumo por viadutos a cumprir as mercês dessa sina de estrada

percorro tanto chão sem olhar estrelas quando morre o imo da beleza eis que a vida resolve me vagar pelo mundo como alma penada num abismo profundo a remoer a aspereza e essa fome danada

desentendo o levante dessas ideologias que implode a alma das poesias enquanto desfere o veneno agudo da conversa fiada e num só segundo suga toda a energia que vem da tomada

conto que esse tempo não seja arbitrário só ele é que pode andar ao contrário e fazer pretérito desse rumo escuro desde vidas passadas
e subtrai os minutos para o desaniversário dessas favas contadas

wasil sacharuk








sobre a cama

 sobre a cama


no dia em que eu acordar
imerso em águas azuis
teu olhar diamante
permanente 
na minha fronte

deixarás sobre a cama
a minha fotografia

se eu acordar algum dia
ao desenredo das tuas tramas
farei novo entrançado 
esquecido das mágoas

na corrente das águas
lavarei os  enganos
lançarei ao oceano
as minhas amarras

na corrente das águas
o perdão pelos danos
lançarei ao oceano
o meu intento

se um dia eu acordar
e não sentir mais o vento
a lua o sol o chão
choverão os lamentos
na canção que te canta 

deixarás sobre a cama
a minha poesia

na corrente das águas
lavarei os  enganos
lançarei ao oceano
as minhas amarras

na corrente das águas
o perdão pelos danos
lançarei ao oceano
o meu intento

wasil sacharuk






oxigênio

 oxigênio


já te aprendi tanto
que a mim não enganas mais

desvendei rumos e recantos
fui o motivo dos teus desencantos
agora sei o que esconde os teus ais

e não venhas quebrar minha paz
com tuas mentiras insanas
faniquitos e artimanhas
dissimulações do teu pranto

já não me causas espanto
afinal sempre ganhas
com tuas manobras tacanhas
e esse olhar sacrossanto

agora não há mais jeito
nem projetos ou campanhas
que abafe o som do meu canto

pois saibas que tenho o direito
de me libertar do quebranto
e tragar o novo ar das montanhas

wasil sacharuk









marcada

  marcada


era eu

dura pedra

ao pó desmantelada

pelo crivo da tua vontade

eis que o desejo persiste

teu signo reside

na minha pele tatuada

no toque das tuas digitais

 

minh'alma resiste marcada

meu âmago

ninguém toca mais

meu gozo

anseia tua completude

ainda são teus

os meus ais


teu signo

na minha pele

teu signo

persiste e arde


marcada 

pela tua vontade

eu vivo

marcada

 ainda marcada


wasil sacharuk 




agridoce

 


agridoce 

se quisesse
deglutiria o parceiro
ao teto do céu
sabor agridoce
leite e mel

talvez fosse
amazona num corcel
a montá-lo inteiro
galope ligeiro
crinas nas faces

segredos ensejam enlaces
contos de pobres roteiros
ocultos no mundo cruel

e ainda se quisesse
mataria o companheiro
sem vingança ou ódio
só para cumprir um papel

de morte
com cheiro de noite
de sorte
com gosto de fel

wasil sacharuk 





Densidade, desejo e poder no poema de WASIL SACHARUK, onde o prazer e a dor coexistem numa atmosfera de beleza e ambiguidade . "Agridoce" é um poema sobre o amor como força destrutiva e criadora, onde desejar, possuir, elevar e aniquilar são gestos indissociáveis. Não há sentimentalismo, mas uma frieza ritual que torna o sentimento ainda mais inquietante — e verdadeiro. Leia, ouça e, se gostar, mostre esse poema inquietante aos amigos.

#literatura #poesia #musicabrasileiea #poema #músicaalternativa