Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras. Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude. O amor era descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade. Sacharuk recusava a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.
domingo, 21 de dezembro de 2025
imersa
imersa
o silêncio absoluto
preenche a noite
a lagoa dança tão calma
faz repousar o açoite
que corta as estradas
que entorta as almas
até despertar a cidade
adormecida ao meu lado
Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia
Quero ser inundada
pela maré das verdades
faces desumanas
desvendam oráculos
das luzes embriagadas
no teto sobre a cama
até encerrar as vontades
no meu mundo quadrado
Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia
Quero ser tocado
pela minha insanidade
Nessa fase da lua
as dores são soberanas
e desafiam a morte
com lágrimas e gargalhadas
paixões tão insanas
a romper a estabilidade
do meu mundo inventado
Espero a luz do dia
na certeza de estar louca
e partida
louca varrida
imersa em poesia
Quero ser enganada
pela minha obviedade
wasil sacharuk
anjos tocam falácias
anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...
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