Apneia
Bolinei seu nariz com a pontinha do indicador. Surpresa, ela gentilmente invadiu profundezas do meu olhar e sorriu divertida, Ergueu sutilmente o cantinho da boca. Bem sei da frieza das noites em que ela adormeceu no jardim contando estrelas cadentes. Por isso sorri para ela também.
Corremos, dançamos e mergulhamos desnudas numa gota de orvalho. Exploração infinita que durou uma apneia de sete segundos, minutos, anos. Depois, desafinadas cantamos.
Logo, toda molhada, ela se abriu toda, estrelada e lânguida. Assim percorri meus dedos pela intimidade dos cachos dos seus cabelos que, enroscados num canto da lua, despencaram incertos pelo breu.
Generosa, beijou meus lábios de fogo e eu, fascinada, entrei em seus olhos.
Jamais a esqueci, portanto a botei para morar bem dentro de mim, misturada com a poesia que corrompe os fluidos e esculhamba os sentidos.
wasil sacharuk