da lógica estrambótica incompreensiva das coisas
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
enxaqueca
laranjeira
laranjeira
laranjeira
brota verde faceira
semeada ao acaso
porém cresce pequena
cultivada em vaso
eu queria dar a ela
um reino do grande prado
para que vingasse inteira
ao som do silêncio absurdo
e um amor de sina campeira
para benzer os seus frutos
wasil sacharuk
murchaflor
murchaflor
murchaflor
dores de toda gente
vi pela janela aberta
os nós do cotidiano
para o deleite humano
vi pelas grades tortas
semblantes indiferentes
cabeças girando tontas
dores de toda gente
haviam razões incertas
os mais tolos enganos
pessoas andando lentas
ratos saindo dos canos
crianças correndo soltas
em busca dos pais ausentes
cães mijando em volta
dores de toda gente
vi a carência farta
os pensamentos insanos
amor que mata e que corta
saúde restrita a planos
comportamentos psicopatas
conversas vazias baratas
dores de toda gente
as vidas resultam ingratas
são sempre tão inexatas
as dores de toda gente
wasil sacharuk
murchafor
malva papoila
flores n'água
flores n'água
terça-feira, 28 de outubro de 2025
demais
signo
balanço das roupas
a disposição era torta
contemporânea instalação
exposta em qualquer bienal
numa concepção universal
pendiam sarrafos do chão
tal atlas das roupas rotas
uma jazida de células mortas
oculta nos poros de um blusão
das brisas que sopram varal
ventam roupas em cor desigual
pingos pingados na imensidão
numa organização tão incerta
pediam por uma área aberta
para poder arejar o colchão
e secar os fluidos ao sol
esfregados com branco total
com gancho grampo e cordão
penduravam um mar de gotas
de limpas cheirosas e fofas
tramas têxteis de ilusão
wasil sacharuk
sais de banho
sais de banho
wasil sacharuk
alívio
alívio
busca o alívio
pelo sangue que jorra
dos buracos de faca
nesse mar gosma verde
nesse século de sede
num dia de ressaca
busca o alívio
dessa dor que ataca
que judia que fere
a dor que te adoece
é a mesma que mata
busca o alívio
na crença ingrata
que te pede e promete
outro milênio
de novas bravatas
busca o alívio
numa letra de hino
nas ciências exatas
nos sistemas de ensino
na pintura abstrata
busca o alívio
nas ideias compradas
filosofias baratas
nas sentenças mais curtas
nas comidas em lata
busca o alívio
nas vivências passadas
nas certezas já prontas
que jamais dizem nada
wasil sacharuk
jardineiro
jardineiro
visitou o jardim
pousou a mão
sobre a indelicada
rosa vermelha
tão linda
abriu-se inteira
desejosa
exibiu sua beleza
o jardineiro
feito abelha
deslizou satisfeito
pela seiva
toques cálidos
resvalaram vontades
com paciência
com paixão
nos úmidos humores
da lírica flor
sucumbiram as pétalas
de tanto calor
lânguida rosa
indecorosa
liberta e plena
feito poesia
wasil sacharuk
esqueletos
esqueletos ☠️💀🦴💀
das alturas
das alturas
enfrento as forças que ameaçam
desvio de ondas que não banham
das razões
a que eu desconheço
morro nas tramas que me apanham
são tantos ares
eu nem respiro
em tantos lares
eu já não entro
invado espaços que nem habito
moro em zonas que não frequento
viajo alturas que não alcanço
trago loucura para o remanso
sou prisioneiro
de asas seguras eu não canso
a vida é dura mas tem encantos
não é utopia
wasil sacharuk
jogos confusos
jogos confusos
pensei em sangrar
os meus pulsos
pensei em cortar
os meus cabelos
escrever uma carta
pela última vez
registrar minhas letras
porém das lembranças
que terei do futuro
de mim voarão borboletas
cintilantes estrelas
no céu mais escuro
dos murros
dos muros
e das incertezas
desses jogos confusos
então quero viver
pintar aves nos céus
amainar asperezas
negociar com os sonhos
perdoar as mentiras
e morrer natural
pelos dias lentos
aprender a sorrir
eu quero viver
pensei em conter
meus impulsos
pensei em contar
meus segredos
pensei palavras exatas
dissecar minha tristeza
em poesia
mas as certezas
que eu ainda tinha
migrarão tal andorinhas
e outras novas belezas
tomarão seu lugar
então quero viver
e poisar no papel
as lágrimas belas
do universo tristonho
entender diferenças
e morrer bem normal
sem meus lamentos
aprender a viver
eu quero viver
wasil sacharuk
onde vive o amor
onde vive o amor
nenúfar
nenúfar
rasgando e reunindo
rasgando e reunindo
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
passava e pensava
passava e pensava
falsa dor
falsa dor
pecaminoso o bálsamo
extraído da flor
degradé furtacor
banhada de orvalho
melodicamente
gotas ao piano
reinventam o amor
em cadência suave
quebram asperezas
falsador do mistério
as pequenas mortes
segredam das pétalas
wasil sacharuk
perséfone diva
perséfone diva
linda dama enfeitada ♀️
doce perséfone diva
exibe frutos maduros
sinuosidades renascentistas
sob as madeixas cascatas
sonha o conto de fadas
o príncipe sabe de nada
o dragão é o protagonista 🐲
wasil sacharuk
pequeno
pequeno
completamente lua
completamente lua 🌔
pioggia
pioggia
terça-feira, 21 de outubro de 2025
roda do tempo
roda do tempo
nereida de gesso
nereida de gesso
alma nas paredes
alma nas paredes
errante
errante
de tanto voar
de tanto voar
meus demônios
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
fui princesa
fui princesa
chuva no quintal
chuva no quintal (meu novo mundo abissal)
choramos cristais e neblina
já não haviam gnomos
somente uma fome de paz
rondando o gramado do quintal
quiçá não houvesse sentido
em descansar sobre o húmus
e querer entregar minha sina
a um tolo lamento cabal
me vi finalmente rendido
enquanto esperava o escuro
só queria fechar a retina
para não ver nunca mais
meu novo mundo abissal
cascatas de cachos graúna
cascatas de cachos graúna
tsunami
tsunami
algoritmo
🤯 ALGORITMO DA ALMA: Será que alguém nos conhece de verdade? 🤯
Em uma era dominada por algoritmos que tentam nos decifrar, o poeta Wasil Sacharuk nos brinda com um poema que nos convida a uma reflexão profunda e, ao mesmo tempo, libertadora: "algoritmo".
Ele nos lembra que, por trás da face que mostramos ao mundo, existe um universo inteiro de:
| ✨ "intentos" |
|---|
✨ "coisas que eu penso, coisas que eu sinto" ✨ "artefatos que jamais serão usados" ✨ "minha prece ao oceano em silêncio desvelado"
O que realmente nos move? Quais são os saraus da nossa alma, os rios de lágrimas invisíveis, os medos cimentados nas paredes internas?
Cada um de nós é um sistema complexo, guiado por um "algoritmo d'alma" único e intransferível. Ninguém pode realmente "flagrar nuas" nossas musas ou entender os "subterfúgios da mente". E talvez essa seja a beleza maior: a nossa essência, a nossa verdade mais profunda, reside nesse espaço sagrado e intocável. 💫
Qual parte do seu "algoritmo d'alma" você sente que é a mais secreta e poderosa? Compartilhe nos comentários! 👇
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luz de amizade
vagalumando
vagalumando
habitas a penumbra
dos subterrâneos
de costas ao sol
sequer olhas para fora
porisso não vês
vagalumando no céu
as luzinhas piscantes
espocando pela orla
wasil sacharuk
da tua janela
da tua janela
te escuto respirar
na noite adormecida
se entro pela tua janela
as coisas que te pertencem
se mesclam a mim
quero acordar pássaros
contigo na nova manhã
eu já sei quem eu sou
sei do tanto que erro
ainda insisto te olhar
não vou embora
não vou sumir
só vou respirar
até o amor verter sobre mim
eu quero tentar
quero entender
até o amor verter sobre mim
te escuto respirar
se entro à noite
pela tua janela
as coisas que te pertencem
se mesclam a mim
eu já sei quem eu sou
sei do tanto que erro
ainda insisto te olhar
não vou embora
não vou sumir
só vou respirar
até o amor verter sobre mim
eu quero tentar
quero entender
até o amor verter sobre mim
e acordar pássaros contigo
na nova manhã
verde de limo
verde de limo
tenho sido titubeio
entre vontade e destino
não sou florbelo
também não sou feio
hades com flores no meio
ou apenas poeta menino
sou pedra verde de limo
inerte seguro no freio
desorientado
e com receio
tenho sido o vacilo
precipício e desatino
poeta preso no estilo
tal cavalo no arreio
hoje acabou o passeio
mas ainda sou peregrino
procuro o talento divino
acertar sempre em cheio
descomplicado
e sem rodeio
wasil sacharuk
calos
calos
conta uma história lindasobre as virtudes mágicas
daquelas mulheres antigas
lavadeiras tão trágicas
cantadoiras das cacimbas
sob os calos escondiam
wasil sacharuk
cabocla
cabocla
avoada
avoada
a alma anda avoada
avenidas afora
ainda alquebrada
antes andava amarga
anda agora aliviada
anda alçada aos ares
arremeda animais alados
alavanca as alturas
até a aura azul
assiste aves atmosféricas
aplaudindo aos astros
até Apolo avermelhar
a aurora ametista
antecedem alíneas
abortam artigos abreviados
abonam apóstrofos
argumentos acumulados
ao anoitecer
a alma ainda acordada
abandona a armadura
ademais
a alma agora admite
arrebentar as algemas
wasil sacharuk
capuchinho
Capuchinho
de logo comê-la
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
vambora
vambora
animalia
animalia
no dia em que te conheci
pulaste como uma foca
desfilaste tal pata
trombaste que nem elefoa
tramaste feito aranha
correste igual a pantera
no dia em que te comi
rebolaste tal cobra
miaste que nem uma gata
rugiste feito leoa
mordeste igual a piranha
gozaste feito uma égua
wasil sacharuk
sideral
sideral
poeta alienígena
dos ares facínoras
habita a nuvem
nave mãe coerente
construída para ti
no feixe de espaço
estranho e distante
em que constelas
ele pode
pincelar falsas telas
fazer pouco caso
tripudiar das escolhas
inverter as letras
travar poesia na prosa
talvez só acredite
na finitude das coisas
na tolice das minhas
na doença das tuas
na perplexidade
das todas
sideral iluminado
jaz ao lado
do olho da lua
de máscara turva
sobre a face
wasil sacharuk
amor pimenta
amor pimenta 🌶️
que eu já não entendo
o amor faz coisas
que não sei explicar
o amor adentra
por janelas abertas
o amor sopra vento
rasga raio e tormenta
amor-pimenta
amor-safadeza
das vontades intensas
esse amor clandestino
amor-espinho
amor-singeleza
das coisas pequenas
esse amor-passarinho
o amor sente coisas
que cortam por dentro
o amor tem asas
que me fazem voar
o amor se inventa
por palavras incertas
o amor canta o tempo
feito em música e letra
amor-pimenta
amor-safadeza
das vontades intensas
esse amor clandestino
amor-espinho
amor-singeleza
das coisas pequenas
esse amor-passarinho
wasil sacharuk
espere-me
espere-me
ausência
ausência
navegantes do escuro
pairam estranhezas
ofuscantes tal lampião
navegantes do escuro
voam soturnas
até quando
despencarem manhãs
secarem ao sol
fluídos do amor
no velho lençol
sobrevoam estranhezas
sobre as cabeças
borboletas falenas
mais de cem
as conheces tão bem
e aos nossos pés
navegam desengonçadas
difusas crenças
esperamos tanto
pela noite alucinada
para dançar e dançar
divertir pirilampos
e tu danças
eu canto
alto
no céu
por ti
se aqui
ninguém entende
o que sentes
ninguém pensa
o que sinto
mas sabemos colorir
as amarguras impressas
nas paredes sem cor
e tu cantas
eu danço
alto
no céu
por ti
se aqui
não há lugar
para andar sem destino.
wasil sacharuk
verve
verve
tão só
tão só
rosa trepadeira
rosa trepadeira
anjos tocam falácias
anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...
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anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...
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vagos vinténs vaga vasta vivos vãos variante vacilo vácuo! ventos virão virarão vendavais valentes vertentes varrerão vilipêndios varrerão...
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flores de espera tuas mãos riscam meu nome na areia o vento sopra aos meus olhos perdida ! perdida ao teu toque tua balada anuncia ...