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esqueletos

 esqueletos ☠️💀🦴💀


naveguei tantos mares
explorei outras terras
remei o dó nas galeras
com dores nas costas
e de olhos tristonhos
em busca do porto
para ancorar alguns sonhos

marés de tantos azares
outras de sorte ou quimeras
abandonei causas velhas
pisei na fama e na bosta
mirei destinos tacanhos
joguei pérolas aos porcos
servi senhores estranhos

separei dos meus pares
fui ovni entre estrelas
ficamos eu e as panelas
pois eu perdi as apostas
que fiz com deus e demônio
vi meus sonhos aos ossos
de esqueletos medonhos

wasil sacharuk









das alturas

 


das alturas

enfrento as forças que ameaçam
desvio de ondas que não banham
das razões
a que eu desconheço
morro nas tramas que me apanham

são tantos ares
eu nem respiro
em tantos lares
eu já não entro
invado espaços que nem habito
moro em zonas que não frequento

viajo alturas que não alcanço
trago loucura para o remanso
sou prisioneiro 
da liberdade

de asas seguras eu não canso
a vida é dura mas tem encantos
não é utopia 
a felicidade

wasil sacharuk











jogos confusos

 jogos confusos


pensei em sangrar
os meus pulsos
pensei em cortar
os meus cabelos
escrever uma carta
pela última vez
registrar minhas letras

porém das lembranças
que terei do futuro
de mim voarão borboletas
cintilantes estrelas
no céu mais escuro

dos murros
dos muros
e das incertezas
desses jogos confusos

então quero viver
pintar aves nos céus
amainar asperezas
negociar com os sonhos
perdoar as mentiras
e morrer natural
pelos dias lentos
aprender a sorrir
eu quero viver

pensei em conter
meus impulsos
pensei em contar
meus segredos
pensei palavras exatas
dissecar minha tristeza
em poesia

mas as certezas
que eu ainda tinha
migrarão tal andorinhas
e outras novas belezas
tomarão seu lugar

então quero viver
e poisar no papel
as lágrimas belas
do universo tristonho
entender diferenças
e morrer bem normal
sem meus lamentos
aprender a viver
eu quero viver

wasil sacharuk 












onde vive o amor

  onde vive o amor


espero algo de ti
nunca sei dizer o que é
espero e não imagino
que nome isso tem
espero algo de alguém
minh'alma percorre desterros

procuro nos jardins
na casa de verão
entre teus cabelos
entre os vãos
bem dentro
onde vive o amor

sei que vejo uma cor
não sei dizer que cor é
minha mente sempre mente
visita um lugar
não sei ao certo onde é

procuro nos jardins
na casa de verão
entre teus cabelos
entre os vãos
bem dentro
onde vive o amor

wasil sacharuk













nenúfar

  nenúfar

se te fazes -morena- tão ninfácea - és nenúfar que se destaca doutros nenúfares do azul jardim - se te quero possuir e espero que sim - escalo montanhas alucino nas curvas em  total sincronismo entre a estrada e o fio do abismo
empresta tuas águas às enxurradas sob o olhar de Jaci a agarrar o firmamento - espero o momento de beijar-te morena  - teus lábios rosados ao pordossol ciumento

wasil sacharuk













rasgando e reunindo

 rasgando e reunindo


percorro a vida a te navegar
águas que pairam
a me refletir
desbravo-te pelo louco querer

teu laço para me desatar
lágrima e o sorriso para me dividir 
rasgando e reunindo o meu ser

wasil sacharuk






SACHARUK - DESTINOS TACANHOS Full - poesia falada spoken word


SACHARUK - DESTINOS TACANHOS

A navegação pelas águas turvas da dor e o grito de resistência na poesia falada. Um grito de sobrevivência e um abraço para quem precisa de esperança. Recomendo muito que tirem alguns minutos do dia para assistir e absorver cada palavra dessa performance.

Poesia de WASIL SACHARUK

DESTINOS TACANHOS é de uma crueza emocionante. O autor não esconde a dor, admitindo: "Pensei em sangrar os meus pulsos. Pensei em cortar os meus cabelos, escrever uma carta pela última vez". No entanto, é exatamente no fundo desse poço emocional que a poesia encontra sua maior força. A narrativa se transforma em um manifesto de resiliência, onde a vontade de existir fala mais alto, culminando no poderoso refrão: "Então, quero viver, pintar aves nos céus, amainar as perezas [...] Eu quero viver".

A performance ganha contornos épicos ao abordar as cicatrizes do tempo e as escolhas erradas ("Naveguei tantos mares, explorei outras terras... Abandonei causas velhas, pisei na fome e na bosta"), mostrando que a aceitação da vida inclui abraçar seus fracassos e os sonhos que ficaram pelo caminho.
DESTINOS TACANHOS toca na ferida da saúde mental sem romantizar a dor, mas oferecendo uma saída luminosa. A repetição do "Eu quero viver" funciona como um mantra de cura. É uma performance necessária para quem já se sentiu perdido e precisa lembrar que, apesar de tudo, "a vida é dura, mas tem encantos. Não é utopia a felicidade".

Você já sentiu que a vida é uma navegação por águas incertas, onde às vezes perdemos a direção? 🌊

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