sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

um deus morre



um deus morre

um deus morre
ao abandono do íntimo
nas telas da publicidade
ao patrocínio das candidaturas
igrejas e nações
políticas e ditaduras
ao mote das facções

um deus morre
quando reside nas casas
entre códigos e domínios
ao conforto do trono
perante a servidão
quando crentes recitam
discursos medievais

um deus morre
cada vez mais
na fome no medo na dor
na corrupção no horror
onde não há um senhor
também não há satanás

um deus morre
a cada sussurro
a cada silêncio
na hipocrisia
nos contrassensos 

um deus morre
pelos feixes de luz
que perpassam vitrais
e rebrilham no ouro
das paredes incrustadas
com as jóias de baal

um deus morre
na indiferença
das súplicas
à semelhança
dos súditos
mudo
mouco
em ruínas

um deus morre
a cada sussurro
a cada silêncio
na hipocrisia
nos contrassensos


wasil sacharuk



anjos tocam falácias

  anjos tocam falácias jaz o silêncio instintivo detrás da porta do quarto jamais pergunte os motivos jamais sentencie meus atos arquiteto d...