sal e ferro
liberta-te
se a vida verter
pela última vez
nave em vertigem
venhas comigo
com gosto
beijo-te o umbigo
e te risco um maldito
rasgo na pele
meus dentes
minhas garras
perfuram teus olhos
e meu reflexo
queimando em desejo
liberta-te
pela pele
dança viva
sobre a faca
dança nua
sobre as chamas
plantei na tua fronte
sementes de escuta
que ouvem silêncios
dos sentimentos e sentidos
para germinar-me em ti
agora desfalecida
vê o que plantamos
ao escolhermos a dor
tua garganta
tuas vísceras
são altar e desgraça
e nua tu danças
sobre a cadeira
de pulsos abertos
gotas em minha boca
sal e ferro
e assim eu te tenho
inerte e livre
liberta-te
pela pele
dança viva
sobre a faca
dança nua
sobre as chamas
wasil sacharuk