docemente
a morte beijou-lhe os lábios
tão docemente
o sangue verteu-se em regato
tão docemente
um demônio tomou-lhe o corpo
docemente
ao vento
seu último sopro
foi tão docemente
que o anjo entregou-a ao sábio
e o destino zombou tanto ingrato
o eterno atracou ao seu porto
a finitude lançou-a ao espaço
docemente
arrastaram-na sem correntes
a vida desfeita num laço
e ela pode partir
tão docemente
sem dor ou lamento
docemente
tão docemente
um beijo da vida
no ponto final
wasil sacharuk