autoamor singular
desatou-se das dores
a maria
expulsou a amargura
e a violência
para longe
do seu barraco
finalmente entendeu
a Maria
que o amor
não quer desavenças
que quando
não tem poesia
é só simulacro
que a vida
não tem que ser dura
que o brilho
não deve ser fraco
cultivou novos dias
a maria
de um autoamor singular
que ocupa os espaços
pode cantar
pode dançar
sua melhor companhia
conduzir os seus passos
agora se encanta
a maria
do tanto que o amor
tornou-se vasto
desatou-se das dores
a maria
expulsou a amargura
e a violência
para longe
do seu barraco
esqueceu o desamor
que a matava
mentia e abraçava
só para lhe abusar
maria reinventada
liberta do sofrimento
deixou de viver de esperança
tornou-se empoderada
wasil sacharuk