ícaro negro
madrugada
teus cabelos ocultos
pelo capuz negro
tu avançaste
pelas ruelas
escuras alagadas
despencaram as águas
no chão de pedras
um sopro de vento
contou mistérios
ao silêncio dissonante
por breve instante
cessou todo o medo
fundiu os lados
nem dentro
nem fora
surgiste
plena de glória
da margem do precipício
asas abertas ao mundo
corajoso pássaro
desafiou as alturas
em nome da liberdade
madrugada
teus véus noturnos
deslizaram entre becos
lâminas de chuva
e sombra
serpentearam as águas
sussurraram as pedras
quando o vento entoou
cânticos ocultos
o silêncio pulsou
o instante eterno
o medo dissolvido
diluiu as fronteiras
nem céu
nem chão
e então...
[Refrão]
surgiste!
tal Ícaro negro
das brumas do abismo
asas de ébano
e de fogo rasgaram
a noite infinita
nenhuma corrente
te prendeu
mais nenhum véu
te cobriu
quando a liberdade
finalmente ecoou
no vazio
wasil sacharuk