terça-feira, 18 de novembro de 2025

mãos dadas

 mãos dadas


Alice estava certa
dez graus nessa manhã
esfrego as mãos geladas
mas deixo as portas abertas
nossa cidade ainda dorme
o velho trem corta a estrada

o bentevi na árvore 
quebra a calada da aurora
diz qualquer coisa bonita
conta heroísmos ao sol
e nós colhemos bergamotas
jambolões e butiás 
nos pomares do amor

de mãos dadas vou agora
pois eu andava cego
ela sabe que preciso
aconchegar meus medos
no seu peito

com a bênção do padre
e da senhora mãe das águas
até penso nesses tempos
em repensar certas crenças
talvez quebrar paradigmas
escrever novas histórias

e se ela disser sim
aos pedidos do mar
percorrerei plenitude
pelo sol iluminado
assim serei mais humano
abrirei as janelas
para a rua de pedra

de mãos dadas vou agora
pois eu andava cego
ela sabe que preciso
aconchegar meus medos
no seu peito

Alice estava certa
a ressaca tomou a praia
céu nublado em Rio Grande
mas o amor acalenta
e seus alofones de mel
cantam ao minuano
num canto extremo do sul
o outono leva as folhas 

de mãos dadas vou agora
pois eu andava cego
ela sabe que preciso
aconchegar meus medos
no seu peito

wasil sacharuk




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