đŽ S∆CH∆R√K - ∆NTROPĂF∆G∆ đŽ
Uma performance profundamente lĂrica e sensorial, que transita entre a poesia declamada e a musicalidade experimental. A obra Ă© uma ode Ă natureza, ao desejo e Ă prĂłpria essĂȘncia da existĂȘncia humana, utilizando metĂĄforas orgĂąnicas para descrever sentimentos complexos.
đŽ A Alquimia Sensorial de "O Som das Coisas"
A obra inicia com uma força visceral, evocando uma figura "faminta" que vinga nas matas e mastiga raĂzes. Essa antropofagia poĂ©tica estabelece o tom da produção: uma busca por cura ("esparadrapo e unguento para chagas") atravĂ©s da aceitação dos instintos mais bĂĄsicos e da conexĂŁo com os elementos naturais.
đ¶ O Corpo como Paisagem
Um dos pontos altos do conteĂșdo Ă© a forma como o corpo humano Ă© mapeado como se fosse geografia. Frases como "teu umbigo Ă© um Ăłtimo abrigo" e a comparação de mamilos a "olhos de mar" transformam a intimidade em um cenĂĄrio vasto e explorĂĄvel. O autor utiliza o ato de "desescrever" e "desrascunhar" o outro para revelar a beleza pura da nudez, nĂŁo apenas fĂsica, mas da alma.
đ¶ Ciclos e EstaçÔes
A recorrĂȘncia de meses e estaçÔes, como o novembro sob o foco lunar e a ave na primavera, sugere uma reflexĂŁo sobre a impermanĂȘncia e a renovação. A poesia nĂŁo se prende ao tempo linear, mas ao "gerĂșndio das vontades", onde o desejo Ă© urgente e flui como "ĂĄgua aberta e lĂmpida".
đ¶ A EstĂ©tica do Som
A conclusĂŁo da obra foca na imitação do "som das coisas" e do "coração das criaturas". Essa proposta estĂ©tica Ă© o que dĂĄ unidade ao vĂdeo: a ideia de que a arte deve ser um espelho sonoro e emocional do mundo ao redor, capturando desde a "eloquĂȘncia das marĂ©s" atĂ© o silĂȘncio das dunas.
AntrpĂłfaga Ă© uma experiĂȘncia imersiva e contemplativa. Para o espectador acostumado com narrativas lineares, a abstração pode ser um desafio, mas para quem busca profundidade metafĂłrica e riqueza vocabular, o vĂdeo Ă© um prato cheio. Ă uma obra que nĂŁo apenas se assiste, mas se "sente", exigindo uma entrega sensorial para captar todas as camadas de sua "indelicada alquimia".
“AntropĂłfaga” Ă© o ritual Ăntimo de devorar referĂȘncias, metabolizar memĂłrias e devolver poesia.
6 faixas que soam como madrugadas macias, cortantes, vivas.
Poesia de WASIL SACHARUK
antropĂłfaga
colcha de margaridas
amor com Tchaikovsky
topografia
lua e mais nada
bemĂłis
qual poema te mordeu primeiro?
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