pelada
Daquilo tudo o que eu era restaram somente palavras. Logo, não mais do que palavras é o que agora sou. Alimento-me de sonoros substantivos.
Fiz brotar húmus de flor para voltar ao princípio. Danço sapateando com o verbo.
Risquei um tempo insano sob o prisma de qualquer existência. Era tarde, quase noite, quando tremenda chuva de versos, diluídos ao whisky, derramou-se e, despudoradamente, fui banhada. Parti ao encontro da palavra pelada das roupas, das crenças e das ciências.
Desde então, fez-se outro o meu intento.
Era maio, talvez setembro. Não sei ao certo... lembro apenas de ter visto um poeta pedalando uma bicicleta velha.
Dia desses tornei a vê-lo, sentado na asa de um avião.
wasil sacharuk