completamente lua 🌔
Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras. Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude. O amor foi descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade. Sacharuk recusou a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.
completamente lua
algoritmo
🤯 ALGORITMO DA ALMA: Será que alguém nos conhece de verdade? 🤯
Em uma era dominada por algoritmos que tentam nos decifrar, o poeta Wasil Sacharuk nos brinda com um poema que nos convida a uma reflexão profunda e, ao mesmo tempo, libertadora: "algoritmo".
Ele nos lembra que, por trás da face que mostramos ao mundo, existe um universo inteiro de:
| ✨ "intentos" |
|---|
✨ "coisas que eu penso, coisas que eu sinto" ✨ "artefatos que jamais serão usados" ✨ "minha prece ao oceano em silêncio desvelado"
O que realmente nos move? Quais são os saraus da nossa alma, os rios de lágrimas invisíveis, os medos cimentados nas paredes internas?
Cada um de nós é um sistema complexo, guiado por um "algoritmo d'alma" único e intransferível. Ninguém pode realmente "flagrar nuas" nossas musas ou entender os "subterfúgios da mente". E talvez essa seja a beleza maior: a nossa essência, a nossa verdade mais profunda, reside nesse espaço sagrado e intocável. 💫
Qual parte do seu "algoritmo d'alma" você sente que é a mais secreta e poderosa? Compartilhe nos comentários! 👇
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passava e pensava
passava e pensava
hiato iluminado
hiato iluminado
Fecharia meus olhos
Enquanto meu tato
Colorisse teu universo;
Haveriam contornos
Assimétricos abstratos
Ritmando meus versos
Olhos fechados
Salvaguardados mistérios
Olharia encantado
Linces olhos etéreos
Hiato iluminado
Olharia teus olhos
Seduzindo meus versos
wasil sacharuk
corrupio
corrupio
bromato
bromato
a ostentar a alva pele de cordeiro
quiçá limparei os pecados do mundo
da massa fermentada serei padeiro
espírito servido ao café da manhã
que sacia o amor no estilo caseiro
com hóstias, brioches e croissants
o divino calor que emana do cheiro
da casquinha crocante da eucaristia
vou sovar cereal com força e poesia
terei água e sal em plena comunhão
na mistura de letras dessa ladainha
o bromato se eleva sutil na farinha
engendra o milagre da multiplicação
alavanca
alavanca as asas
alma aberta
assemelhada
a astuta ave
afugenta!
as algias atemporais
arfantes a
ssombrosas
alternam arghs
alternam ais
aparta!
acabrunha a asinha
abaixando as abas
assustadas
altiva
aparta
aposenta analgésicos
aspirinas
apoios abalizadores
ardentes assustadores
a atmosfera abafadiça
alto!
abaixa as armas
assegura a alma
alçada ao amor
arriscado?
aceita!
apenas abre as asas!
perséfone diva
perséfone diva
linda dama enfeitada ♀️
doce perséfone diva
exibe frutos maduros
sinuosidades renascentistas
sob as madeixas cascatas
sonha o conto de fadas
o príncipe sabe de nada
o dragão é o protagonista 🐲
wasil sacharuk
pequeno
pequeno
asa quebrada
SACHARUK - ASA QUEBRADA Full - poesia falada spoken word
SACHARUK - ASA QUEBRADA
Wasil Sacharuk entre o Sagrado e o Profano
Uma jornada sensorial onde a voz se torna o fio condutor de uma mitologia pessoal, cruzando o tempo, a devoção e as sombras do Hades.
As performances exploram a condição humana em suas múltiplas facetas. Desde a "retirada do poeta" , em Asas quebradas— uma reflexão sobre a invisibilidade e a busca pela paz — até a complexidade do amor em "pequeno", onde o eu lírico se assume como um "velho demônio soberano do Hades". A obra de Wasil Sacharuk transita entre extremos.
A figura de Perséfone surge como uma musa renascentista, subvertendo o papel do herói ao colocar o "dragão como protagonista".
Em um dos momentos mais fortes, a poesia se funde ao ofício do padeiro, transformando o trigo e o suor na própria eucaristia da vida.
"Se algum desses dias qualquer distinto poeta se bater em retirada, que ninguém se preocupe. Não é mais que nada quando há coisas mais evidentemente importantes com o que se ocupar."
"Tudo é tão pequeno se te amo tão vasto."
"O príncipe sabe de nada. O dragão é o protagonista."
"A segurar a alma alçada ao amor arriscado, aceita. Apenas abre asas."
"Da casquinha crocante da Eucaristia. Vou sovar cereal. Com força e poesia terei água e sal em plena comunhão."
"O tempo, sempre o tempo. Rodas espirais, agruras de vento... Depois chora ruínas no jazigo dos lamentos."
Vale a oportunidade de ver a língua portuguesa ser moldada com tamanha plasticidade e emoção, lembrando-nos de que a poesia não é apenas texto, mas um sopro vital que alavanca asas. É Spoken Word em sua essência: ritmo, alma e entrega.
"A segurar a alma alçada ao amor arriscado, aceita. Apenas abre asas." 🕊️
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lagarto de fogo
lagarto de fogo
evita saber o mistériodas chamas que ardem
no meu império
não desafia aos exércitos
atenta ao pleno domínio
das legiões invisíveis
tenho três cabeças
de naturezas indivisíveis
são rendições à beleza
conduzirão-te rasteira
ao inferno das posses
e minhas pernas fortes
montarão as carapaças
de venenosos escorpiões
aos que me servem
sou desígnio da verve
da farta colheita
da grata vitória
da morte aos inimigos
rasgarei-te os pulsos
verterei do sangue
a mim consagrado
com felinas garras
e um lagarto de fogo
deslizará em teu corpo
a devorar sem amarras
e logo te curvará
wasil sacharuk
luz de amizade
de tanto voar
de tanto voar
nereida de gesso
nereida de gesso
meus demônios
fui princesa
fui princesa
tsunami
tsunami
vagalumando
vagalumando
habitas a penumbra
dos subterrâneos
de costas ao sol
sequer olhas para fora
porisso não vês
vagalumando no céu
as luzinhas piscantes
espocando pela orla
wasil sacharuk
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alívio busca o alívio pelo sangue que jorra dos buracos de faca nesse mar gosma verde nesse século de sede num dia de ressaca busca o alív...
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um lugar quando esse frio for embora quando essa chuva passar entre as canecas de café haverá para nós um lugar a laguna d...
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vagos vinténs vaga vasta vivos vãos variante vacilo vácuo! ventos virão virarão vendavais valentes vertentes varrerão vilipêndios varrerão...