Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras.
Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude.
O amor foi descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade.
Sacharuk recusou a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.
vejo novembro sob o foco lunar íris de ouro e prata tom nostalgia luzindo a noite calada em mim só encontro a lua e mais nada
vejo novembro sob prisma de poesia corpo envolto ao véu seduz e insinua toma brilho do sol e oferece à rua espelha a face de Apolo em calor e ousadia
vejo novembro sob facho na estrada eloquência das marés verves alteradas nas danças insanas nos saraus da geologia na cegueira dos olhos quando a noite recua
CABOCLA mescla a crueza do cotidiano com a delicadeza da métrica, o poeta Wasil Sacharuk reafirma seu papel como um dos grandes intérpretes da alma brasileira. Através de uma sequência de poemas que visitam desde a força das lavadeiras até os dilemas do "poeta menino", o vídeo é um convite à pausa e à contemplação emocional.
A jornada começa com "Caboca", uma ode à mulher sertaneja, marcada pela fé e pela resignação. Em seguida, "ALua e mais nada" traz uma atmosfera onírica, onde o tempo é medido pelo "facho na estrada" e pelo "foco lunar". A performance atinge um ponto de introspecção em "Verde de limo", revelando a vulnerabilidade do artista que se vê como uma "pedra verde de limo, inerte".
A fDestinoorça feminina retorna em "Mulheres Antigas", destacando a "virtude mágica" das lavadeiras, cujas mãos imprimem na água as dores da vida. O encerramento com "Coruja" e "Verve" oferece uma reflexão metalinguística, onde Sacharuk brinca com a própria rima, admitindo que ela é a "danada que manda na maldita poesia".
"Caboca tem nome de Ana, Alice, Francisca Maria... tem maracatu, tem poesia na festa de São José."
"Em mim só encontro a lua e mais nada."
"Tenho sido vacilo, precipício e desatino. Poeta preso no estilo, tal cavalo no arreio."
"Sobre as dores imprimiam as suas linhas da vida."
"E teu olhar de coruja na poesia ilumina meu abismo infinito."