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verde de limo

 



verde de limo

tenho sido titubeio
entre vontade e destino
não sou florbelo
também não sou feio
hades com flores no meio
ou apenas poeta menino

sou pedra verde de limo
inerte seguro no freio
desorientado
e com receio

tenho sido o vacilo
precipício e desatino
poeta preso no estilo
tal cavalo no arreio
hoje acabou o passeio
mas ainda sou peregrino

procuro o talento divino
acertar sempre em cheio
descomplicado
e sem rodeio

wasil sacharuk









verve

 verve


larguei minhas rimas por um dia para escrever prosa poética
a dita é mais imagética não levo jeito para isso um enguiço 
e não me surpreende não sou o Celso Mendes
mas isso não me abate pois sou poeta do tipo que liga batatinha quando nasce com tomate e alface
daí não dá briga é só o enlace
poeta que rima tem a rima como guia e a danada é que manda na maldita poesia
coisa de quem considera o leitor
que sempre espera algo além do chavão de juntar amor com dor
coisa sem sabor
a tal prosa poética favorece o fluxo e também o refluxo
e incita uma veia profética meio descabida patética e aflita
talvez um dia a poesia me deixe como peixe fora d'água e eu me abrace com a prosa
mas de rosa não sei falar
nem de deus, carnaval, natal, papai noel e rei momo
o que digo não cabe no céu e nem no mundo abissal
não sou poeta do tipo que escreve o que vive ou que vive o que escreve mas do tipo que junta o arquivo e a verve
é a verve... é a verve

wasil sacharuk






 



coruja

 coruja

nem Capitu
Isaura sequer
Helena nem cogito

olhos literários
brilham por querer
encantam emocionam
são sempre bonitos

e teu olhar de coruja
na poesia ilumina
meu abismo infinito

wasil sacharuk







calos

 calos 

conta uma história linda
sobre as virtudes mágicas
daquelas mulheres antigas
lavadeiras tão trágicas
cantadoiras das cacimbas
sob os calos escondiam 
as linhas das suas mãos
sobre as dores imprimiam
as suas linhas da vida

wasil sacharuk





lua e mais nada

 

lua e mais nada

vejo novembro
sob o foco lunar
íris de ouro e prata
tom nostalgia
luzindo a noite calada
em mim só encontro a lua
e mais nada

vejo novembro
sob prisma de poesia
corpo envolto ao véu
 seduz e insinua
toma brilho do sol
e oferece à rua
espelha a face de Apolo
em calor e ousadia

vejo novembro
sob facho na estrada
 eloquência das marés
verves alteradas
nas danças insanas
nos saraus da geologia
na cegueira dos olhos
quando a noite recua

vejo novembro dormir
enquanto dorme a lua

wasil sacharuk







cabocla

 cabocla

caboca da tez tatuada 
verde vestido ao vento 
pedala a bicicleta velha 
nos caminhos de fogo da terra

caboca sabe que o mar
apaga o fogo da terra
que a lua brilha na serra
também movimenta maré

caboca aos passos lentos 
entrecruza as queimadas 
sua voz encanta a toada
embalando os lamentos

caboca tem pé jenipapo
e tem outro pé canindé
carnaúba cerrado banana
tem coco tem sede tem fé

caboca do pé de serra 
alma rendada de birro  
 forja nas incertezas
 a resignação e a espera

caboca tem nome de ana
alice francisca maria 
tem maracatu tem poesia
na festa de são josé

caboca do sacramento 
das mulheres abnegadas 
da vida que não cobra nada 
além dos próprios tormentos

wasil sacharuk 





SACHARUK - CABOCLA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - CABOCLA 
A Polifonia Lírica de Wasil Sacharuk

CABOCLA mescla a crueza do cotidiano com a delicadeza da métrica, o poeta Wasil Sacharuk reafirma seu papel como um dos grandes intérpretes da alma brasileira. Através de uma sequência de poemas que visitam desde a força das lavadeiras até os dilemas do "poeta menino", o vídeo é um convite à pausa e à contemplação emocional.

A jornada começa com "Caboca", uma ode à mulher sertaneja, marcada pela fé e pela resignação. Em seguida, "ALua e mais nada" traz uma atmosfera onírica, onde o tempo é medido pelo "facho na estrada" e pelo "foco lunar". A performance atinge um ponto de introspecção em "Verde de limo", revelando a vulnerabilidade do artista que se vê como uma "pedra verde de limo, inerte".

A fDestinoorça feminina retorna em "Mulheres Antigas", destacando a "virtude mágica" das lavadeiras, cujas mãos imprimem na água as dores da vida. O encerramento com "Coruja" e "Verve" oferece uma reflexão metalinguística, onde Sacharuk brinca com a própria rima, admitindo que ela é a "danada que manda na maldita poesia".

"Caboca tem nome de Ana, Alice, Francisca Maria... tem maracatu, tem poesia na festa de São José."
"Em mim só encontro a lua e mais nada."
"Tenho sido vacilo, precipício e desatino. Poeta preso no estilo, tal cavalo no arreio."
"Sobre as dores imprimiam as suas linhas da vida."
"E teu olhar de coruja na poesia ilumina meu abismo infinito."

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