alavanca

alavanca

alavanca as asas
alma aberta
assemelhada
a astuta ave

afugenta!
as algias atemporais
arfantes a
ssombrosas
alternam arghs
alternam ais

aparta!
acabrunha a asinha
abaixando as abas
assustadas
altiva
aparta

aposenta analgésicos
aspirinas
apoios abalizadores
ardentes assustadores
a atmosfera abafadiça

alto!
abaixa as armas
assegura a alma
alçada ao amor

arriscado?
aceita!

apenas abre as asas!

wasil sacharuk 







perséfone diva

 perséfone diva 


linda dama enfeitada ♀️
doce perséfone diva
exibe frutos maduros
sinuosidades renascentistas
sob as madeixas cascatas
 sonha o conto de fadas
  o príncipe sabe de nada
 o dragão é o protagonista 🐲

wasil sacharuk







pequeno

 pequeno


eu posso saber de tudo
ser essência da vida
posso ser algum anjo
luz das almas perdidas
posso ser boa nova
das saudades infindas

e sei ser linda flor
num jardim tão perfeito
posso ter qualquer cor
produzir meus efeitos
                ...fantásticos

tudo é tão pequeno
      se te amo tão vasto

apenas velho demônio
soberano do hades
inferno enfadonho
onde o tempo é sem tempo
e distante é distante

das tristezas errantes
posso ter o controle
nas belezas vertentes
sei matar minha fome
meus talentos latentes
                ...fantásticos

tudo é tão pequeno
      se te amo tão vasto

apenas velho enfadonho
demônio do hades
inferno soberano
onde o tempo é sem tempo
e distante é distante

eu posso ser pleno
mas também simulacro
tudo é tão pequeno
se te amo tão vasto

tudo é tão pequeno
        se te amo tão vasto

wasil sacharuk








asa quebrada

asa quebrada 

se nalgum desses dias
qualquer distinto poeta
se bater em retirada
    que ninguém se preocupe

não é mais que nada
quando há coisas mais
evidentemente importantes
com o  que se ocupar 

se nalgum desses dias
qualquer distinto poeta
resolver sair em revoada
    que ninguém se perturbe

vem de asa quebrada
novamente na busca da paz
sempre tão distante
que não consegue alcançar

wasil sacharuk 



SACHARUK - ASA QUEBRADA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK  - ASA QUEBRADA 

Wasil Sacharuk entre o Sagrado e o Profano

 Uma jornada sensorial onde a voz se torna o fio condutor de uma mitologia pessoal, cruzando o tempo, a devoção e as sombras do Hades.

As  performances  exploram a condição humana em suas múltiplas facetas. Desde a "retirada do poeta" , em Asas quebradas— uma reflexão sobre a invisibilidade e a busca pela paz — até a complexidade do amor em "pequeno", onde o eu lírico se assume como um "velho demônio soberano do Hades". A obra de Wasil Sacharuk transita entre extremos. 

A figura de Perséfone surge como uma musa renascentista, subvertendo o papel do herói ao colocar o "dragão como protagonista".

Em um dos momentos mais fortes, a poesia se funde ao ofício do padeiro, transformando o trigo e o suor na própria eucaristia da vida.

"Se algum desses dias qualquer distinto poeta se bater em retirada, que ninguém se preocupe. Não é mais que nada quando há coisas mais evidentemente importantes com o que se ocupar."

"Tudo é tão pequeno se te amo tão vasto."

"O príncipe sabe de nada. O dragão é o protagonista."

"A segurar a alma alçada ao amor arriscado, aceita. Apenas abre asas."

"Da casquinha crocante da Eucaristia. Vou sovar cereal. Com força e poesia terei água e sal em plena comunhão."

"O tempo, sempre o tempo. Rodas espirais, agruras de vento... Depois chora ruínas no jazigo dos lamentos."

Vale a oportunidade de ver a língua portuguesa ser moldada com tamanha plasticidade e emoção, lembrando-nos de que a poesia não é apenas texto, mas um sopro vital que alavanca asas. É Spoken Word em sua essência: ritmo, alma e entrega.

"A segurar a alma alçada ao amor arriscado, aceita. Apenas abre asas." 🕊️

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lagarto de fogo

  lagarto de fogo

evita saber o mistério
das chamas que ardem
no meu império
não desafia aos exércitos
atenta ao pleno domínio
das legiões invisíveis

tenho três cabeças
de naturezas indivisíveis
são rendições à beleza
conduzirão-te rasteira
ao inferno das posses
e minhas pernas fortes
montarão as carapaças
de venenosos escorpiões

aos que me servem
sou desígnio da verve
da farta colheita
da grata vitória
da morte aos inimigos

rasgarei-te os pulsos
verterei do sangue
a mim consagrado
com felinas garras

e um lagarto de fogo
deslizará em teu corpo
a devorar sem amarras
e logo te curvará
ao meu eterno reinado

wasil sacharuk