cansada de doer

cansada de doer

lança-te a mim demônio
come tudo mastiga e engole
logo regurgita-me por intriga
não importa se não suportas
o fardo do amor
ainda me fazes a mais bonita
a mais maldita a mais mulher

amordaça-me malfeitor
sacia a fome que sinto de ti
vivo cansada de doer
 por teu amor

monstro cruel
a ti interessa 
castigar-me sem pressa
tua cegueira te guia 
ao veneno do fel
e assim sou teu fim

lança-te a mim demônio
o quanto quiseres
o que for preciso
eu te aguento
estou preparada
estende tua onda furiosa
de impiedoso inverno
congela-me o ar
vivo cansada de doer
 por teu amor

tuas garras meus pulsos
ao prazer de sangrar
vivo cansada 
de doer 
por teu amor

wasil sacharuk



vambora

  


vambora

amora vambora
te prometo
o amor o inferno
e o gheto

amora vambora
te prometo
o amor o inferno
e o gheto

oh oh
oh oh oh 
olh
oh oh oh olh

amora
dont forget me
forever

amora
vambora
te prometo

amora
dont forget me
forever 

amora
let's go
I promise you

wasil sacharuk








estelares luminárias

 a menina dos olhos de deus 

(estelares luminárias)

a doce menina dos olhos de deus denota pureza aos auspícios da crença sob as luzes do espírito na fé e esperança
a doce menina dos olhos de deus irrompe estrela cadente risco fulminante mergulho de fumaça a perfurar oceanos
a doce menina dos olhos de deus carente de esperança quer saber não morrer quando apaga sua chama
certo dia o demônio das duas cabeças ofertou-lhe as filosofias cuspiu-lhe a política e recitou poesia
e após beijar-lhe os mamilos elogiou suas belezas e a suspendeu na gravidade do amor
a doce menina dos olhos de deus viu que crenças humanas são faíscas aleatórias na perspectiva das coisas
estelares luminárias lanternas toscas ofuscam-se as umas acendem-se as outras

wasil sacharuk







amora molhada

 


amora molhada

saibas amora
eu não deveria
chover mais em ti
mas isso não importa
se usas guarda-chuva

saibas amora
eu não tenho capa
sequer uso luvas
saíram de moda

amora
e se te incomoda tu te apartas
dos pingos te resguardas
no abrigo
se minha chuva te molha

mas vai
vai amora 
leva a cadeira 
e teu maldito guarda-chuva
senta lá fora nua

mas naquela hora amada amora
eu bem sei que tu ficas louca
se eu mergulho nos teus olhos
em cântaros

amora vejo sóis
se chovo em tua boca

wasil sacharuk





flor bruta

 flor bruta 

resta a seca
e a vida agoniza
sua dor espinhosa
com coragem 

resta a seca
após a estiagem
quando despencam
pingos esquálidos

resta a seca
nos restos pálidos 
a penúria dos rios
chora vertentes
de versos áridos

mas tu
flor bruta
do mandacaru 
quando a lua te mira
irrompes atrevida
 teu cálice perfumado
do verde botão 

mas tu
flor bruta
do mandacaru 
guarda seiva da vida
efêmera e linda
do cacto indelicado 
irrompido
do sertão 

wasil sacharuk 








 SACHARUK  - LEITMOTIV 

Onde a Flor Bruta Encontra o Mar: A Poesia de Wasil Sacharuk

Você já sentiu que a vida, às vezes, é como o mandacaru? Espinhosa por fora, mas guardando uma seiva preciosa de vida por dentro? 🌵✨

No vídeo de hoje, mergulhamos na obra de Wasil Sacharuk, um poeta que transforma a dor em beleza e o sertão em oceano. Seus versos tocam em feridas comuns, mas com uma delicadeza que só quem entende a "gravidade do amor" consegue expressar.

 Com a sofisticação das angústias humanas, o poeta Wasil Sacharuk nos conduz por um labirinto de metáforas onde a dor e a beleza coabitam o mesmo verso.

"Mas tu, flor bruta do mandacaru, guarda seiva da vida."

"Vejo sóis se chovo em tua boca."

"Certo dia o demônio das duas cabeças ofertou-lhe as filosofias, cuspiu-lhe a política e recitou poesia."

"Vivo cansada de doer por teu amor."

"Nós somos mares de marés confusas."

Sacharuk fala sobre a resiliência ("resta seca e a vida agoniza"), sobre o desejo ("vejo sóis se chovo em tua boca") e sobre a complexidade das nossas crenças e amores. É impossível não se identificar com a força de suas palavras e a entrega em sua performance.

Vale assistir a este vídeo não apenas pela qualidade literária, mas pela experiência sensorial. Wasil Sacharuk prova que a poesia não é apenas para ser lida, mas para ser sentida em cada respiração e pausa. É um convite para olhar para nossas próprias "marés confusas".

É poesia para fechar os olhos e deixar a voz nos guiar.

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