língua do sol
Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras. Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude. O amor foi descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade. Sacharuk recusou a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.
língua do sol
sakura
sakura
robin
robin
quando a fortuna girou sua roda voei campo afora ave riscada em contornos de luz na moldura noturna
na aurora cantei com o robin e os outros pássaros sobre faixas de asfalto planícies planaltos bati minhas asas pelos mares e praias matas fechadas até janela da tua casa
voei junto aos pássaros carregando nos bicos sementes de sonhos e um punhado das belas palavras
na árvore do parque meu nome escrito à faca
no quarto bailavas vestindo vermelho tão linda ao espelho
voei junto aos pássaros carregando nos bicos sementes de sonhos e um punhado das belas palavras
wasil sacharuk
veneno
veneno
lum ugar
um lugar
quando esse frio for embora
quando essa chuva passar
entre as canecas de café
haverá para nós um lugar
a laguna deitará entre as pedras
e os pássaros voltarão a voar
nos campos das flores eternas
tu correrás para as águas
eu vou pegar uma estrela
para nós haverá um lugar
quando voltar o calor
quando passar essa dor
poderemos de novo andar
pelas sangas e matos
tu correrás para as águas
eu vou pegar uma estrela
tu correrás para as águas
eu vou pegar uma estrela
para nós haverá um lugar
quando passar essa dor
haverá para nós um lugar
wasil sacharuk
cadente
cadente
ela vê toda gente
desorientada
não sabem o valor
de viver por amor
talvez as pessoas
não saibam de nada
é certeza
tão somente
incontestada
fosse eloquente
seria a primeira
mas perde a razão
portanto é besteira
ela troca as palavras
pela língua dos sonhos
cenas perplexas
sons enfadonhos
o mundo lá fora
é outra conversa
é beleza
tão somente
deslumbrante
fosse estação
seria primavera
mas floresce ilusão
portanto é quimera
tão só
ela escreve o roteiro
no oriente das vidas
vislumbra as pegadas
onde vento faz pó
e encobre a estrada
é estrela
tão somente
cintilante
fosse pedra
seria diamante
mas cai na terra
portanto é cadente
wasil sacharuk
SACHARUK - SAKURA Full - poesia falada spoken word
SACHARUK - SAKURA
Você já sentiu que a realidade às vezes é "outra conversa" e que a verdadeira vida acontece na língua dos sonhos? No vídeo mais recente do poeta Wasil Sacharuk, somos convidados a voar junto aos pássaros e a acreditar que, não importa o tamanho do frio ou da dor, sempre haverá um lugar para nós.
É uma performance emocionante que mistura a força do "amor escorpião" com a delicadeza das cerejeiras. Um lembrete de que somos todos um pouco cadentes, um pouco diamantes, mas sempre em busca de florescer com ardor.
Sabe aquele tipo de vídeo que você começa a ver e, de repente, o mundo lá fora parece "outra conversa"? É exatamente essa a sensação ao mergulhar na performance de Wasil Sacharuk nesta coletânea. O poeta nos guia por um labirinto de emoções que vão da desorientação dos sonhos à esperança concreta de um café compartilhado.
SAKURA não é apenas uma leitura; é um roteiro escrito "pela língua dos sonhos". Wasil atravessa diferentes estados de espírito. Começamos com a figura feminina que "troca as palavras" pela imaginação, passamos pela promessa reconfortante de que "haverá para nós um lugar" quando o frio passar, e chegamos à intensidade perigosa do "amor escorpião". É uma obra que fala sobre a transitoriedade — como o desabrochar da Sakura — e a permanência dos sonhos que carregamos no bico, como pássaros em revoada. O tema da esperança é o fio condutor: a certeza de que, após a dor e o inverno, o calor voltará. Wasil usa metáforas da natureza — lagunas, pássaros, flores eternas — para falar de sentimentos humanos universais.
"Ela troca as palavras pela língua dos sonhos."
"Quando esse frio for embora, quando essa chuva passar... haverá para nós um lugar."
"Arriscado inocular parte veneno do meu amor escorpião."
"Voei junto aos pássaros carregando nos bicos sementes de sonhos."
"Eis que o tempo envolve fêmea, flor e cria o espaço das certezas."
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alívio busca o alívio pelo sangue que jorra dos buracos de faca nesse mar gosma verde nesse século de sede num dia de ressaca busca o alív...
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um lugar quando esse frio for embora quando essa chuva passar entre as canecas de café haverá para nós um lugar a laguna d...
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vagos vinténs vaga vasta vivos vãos variante vacilo vácuo! ventos virão virarão vendavais valentes vertentes varrerão vilipêndios varrerão...