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língua do sol

 língua do sol 


expande
            moléculas do ar
aprende 
                    com aquilo que sente
                           e com o que falta
escuta o arrebol
    que rasga o véu
            e declina na mata

inspira prende solta
             língua solta
          olhar ausente
imita as correntes
das águas do mar

escapa                   
da razão eloquente
e após desacata
as benesses do bem
as maldades do mal

                   no final
não resta um vintém
as crendices são mortas
esconde as tolices
depois fecha a porta

inspira prende solta
             língua solta
          olhar ausente
imita as correntes
das águas do mar

aprende a amar
se amar vale a pena
declama um poema
na língua do sol

wasil sacharuk









sakura

  sakura

quebradiço o galho
que suspende a existência
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
em transitória delicadeza

ouve  que o destino clama
a perecer tuas pétalas
ao chão do bosque copado
derrama nas dores humanas
teu aroma perfumado

floresço a ti com ardor
sakura amada
a esperança confiou-me o nome
e o empenho das madrugadas

assim um só seremos
no parque das cerejeiras
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
recria o espaço das certezas

wasil sacharuk










robin

  robin


quando a fortuna girou sua roda voei campo afora ave riscada em contornos de luz na moldura noturna

na aurora cantei com o robin e os outros pássaros sobre faixas de asfalto planícies planaltos bati  minhas asas pelos mares e praias matas fechadas até  janela da tua casa

voei junto aos pássaros carregando nos bicos sementes de sonhos e um punhado das belas palavras 

na árvore do parque meu nome escrito à faca

no quarto  bailavas vestindo vermelho tão linda ao espelho

voei junto aos pássaros carregando nos bicos sementes de sonhos e um punhado das belas palavras

wasil sacharuk









veneno

 


veneno

fica atenta 
entende os riscos
acaso queiras brincar

é arriscado 
que eu te risque
 meu ferrão
 forte e rápido
 causa intensa dor
irradia pelo corpo

arriscado tatuar-me
na tua pele
de forma que jamais
queiras apagar-me

de forma que jamais
possas apagar-me

arriscado inocular-te
 veneno
do meu amor escorpião
de forma que jamais
queiras apagar-me

de forma que jamais
possas apagar-me

wasil sacharuk





lum ugar



um lugar

quando esse frio for embora
quando essa chuva passar
entre as canecas de café
haverá para nós um lugar

a laguna deitará entre as pedras
e os pássaros voltarão a voar
nos campos das flores eternas

tu correrás para as águas
eu vou pegar uma estrela
para nós haverá um lugar

quando voltar o calor
quando passar essa dor
poderemos de novo andar
pelas sangas e matos

tu correrás para as águas
eu vou pegar uma estrela

tu correrás para as águas
eu vou pegar uma estrela

para nós haverá um lugar

quando passar essa dor
haverá para nós um lugar

wasil sacharuk



cadente

 



cadente

ela vê toda gente
desorientada
não sabem o valor
de viver por amor
talvez as pessoas
não saibam de nada

é certeza
tão somente
incontestada
fosse eloquente
seria a primeira
mas perde a razão
portanto é besteira

ela troca as palavras
pela língua dos sonhos
cenas perplexas
sons enfadonhos
o mundo lá fora
é outra conversa

é beleza
tão somente
deslumbrante
fosse estação
seria primavera
mas floresce ilusão
portanto é quimera

tão só
ela escreve o roteiro
no oriente das vidas
vislumbra as pegadas
onde vento faz pó
e encobre a estrada

é estrela
tão somente
cintilante
fosse pedra
seria diamante
mas cai na terra
portanto é cadente

wasil sacharuk






SACHARUK - SAKURA Full - poesia falada spoken word

 SACHARUK - SAKURA 

Você já sentiu que a realidade às vezes é "outra conversa" e que a verdadeira vida acontece na língua dos sonhos? No vídeo mais recente do poeta Wasil Sacharuk, somos convidados a voar junto aos pássaros e a acreditar que, não importa o tamanho do frio ou da dor, sempre haverá um lugar para nós.

É uma performance emocionante que mistura a força do "amor escorpião" com a delicadeza das cerejeiras. Um lembrete de que somos todos um pouco cadentes, um pouco diamantes, mas sempre em busca de florescer com ardor.

Sabe aquele tipo de vídeo que você começa a ver e, de repente, o mundo lá fora parece "outra conversa"? É exatamente essa a sensação ao mergulhar na performance de Wasil Sacharuk nesta coletânea. O poeta nos guia por um labirinto de emoções que vão da desorientação dos sonhos à esperança concreta de um café compartilhado.

SAKURA não é apenas uma leitura; é um roteiro escrito "pela língua dos sonhos". Wasil atravessa diferentes estados de espírito. Começamos com a figura feminina que "troca as palavras" pela imaginação, passamos pela promessa reconfortante de que "haverá para nós um lugar" quando o frio passar, e chegamos à intensidade perigosa do "amor escorpião". É uma obra que fala sobre a transitoriedade — como o desabrochar da Sakura — e a permanência dos sonhos que carregamos no bico, como pássaros em revoada. O tema da esperança é o fio condutor: a certeza de que, após a dor e o inverno, o calor voltará. Wasil usa metáforas da natureza — lagunas, pássaros, flores eternas — para falar de sentimentos humanos universais.

"Ela troca as palavras pela língua dos sonhos."

"Quando esse frio for embora, quando essa chuva passar... haverá para nós um lugar."

"Arriscado inocular parte veneno do meu amor escorpião."

"Voei junto aos pássaros carregando nos bicos sementes de sonhos."

"Eis que o tempo envolve fêmea, flor e cria o espaço das certezas."

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