vórtice ascendente
tremia corpo inteiro
e assaltavam os poros
toda vez
que espocava faísca no cérebro.
espiralada no ventre,
a serpente maior que jibóia,
menor que sucuri,
tremeluzia
cores indefiniveis
náusea não cabia,
apenas a necessidade
de chorar sem emoção,
falar sem razão.
mudava de pele a feiosa.
naquela hora,
a gosma viscosa
desprendia da nojenta
e ela, silenciosa,
lentamente movia.
despertar era o que queria
cada vez que a eletricidade
percorria a espinha,
impulsionada por forte assopro
a carne
revirava ao avesso.
quando acordou,
nada de sobrenatural
nada de dor,
nada de medo.
nada além
do que já se sabia
passou a morrer.
sem apegos e
sem assombro.
apenas certezas
transmutadas
em escombros
wasil sacharuk