terça-feira, 10 de março de 2026

vórtice ascendente

 


vórtice ascendente

tremia corpo inteiro
e assaltavam os poros

toda vez
que espocava faísca no cérebro.
espiralada no ventre,
a serpente maior que jibóia,
menor que sucuri,
tremeluzia
cores indefiniveis

náusea não cabia,
apenas a necessidade
de chorar sem emoção,
falar sem razão.

mudava de pele a feiosa.
naquela hora,
a gosma viscosa
desprendia da nojenta
e ela, silenciosa,
lentamente movia.

despertar era o que queria
cada vez que a eletricidade
percorria a espinha,
impulsionada por forte assopro

a carne
revirava ao avesso.
quando acordou,
nada de sobrenatural
nada de dor,
nada de medo.
nada além
do que já se sabia
passou a morrer.
sem apegos e
sem assombro.

apenas certezas
transmutadas
em escombros

wasil sacharuk











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