a bifurcação
a noite mal começara
e na estrada ouvi o chamado
cruzei atalhos de capim alto
até vislumbrar a campina
ampla tal lua cheia
à mancheia fartei-me de atmosfera
interceptada pelo sol
a montanha
cruzei a viela de pedras
passo acima
uma a uma
ao ponto crítico da bifurcação
da trilha estreita
vi a ponta da plataforma
um furo na pedra
uma gruta
na rocha
o reino de fogo
e tal lótus
o homem velho o contemplava
apanhei uma acha de lenha
joguei na boca da chama
o clarão iluminou a face do velho
e o espírito da terra ardeu em seus olhos
sua boca cuspiu signos
nessa noite
ouvi sobre o fluido da vida
que foi derramado no solo sagrado
das dores enterradas
das verdades mal contadas
refiz tantos caminhos
investido da alma do mundo
daí me fiz poeta
e o velho
ainda contempla a vida de lá
da bifurcação
ouvindo os signos ecoarem nas rochas
wasil sacharuk