sine qua non

 sine qua non 


ela é a condição 
sem a qual nada
 poderia ser
aprioristica razão
das coisas pensáveis
sine qua non
poderia a magia
lampejar as palavras
e as emanações imputáveis
a quem lhes deu causa

pois ela é a energia 
precipitada da poesia 
ou desprendida do sexo
com amor e verdade 

ela então é o nexo
da minha causalidade 

wasil sacharuk





quid pro quo

 quid pro quo


cruzou águas imensas
deitada na sua canoa
desenhou com o dedo
mil promessas
riscadas nas nuvens

havia vazio em seu meio
uma vertigem
certa dor um receio
não era medo
horizonte quebrado
esse vazio tinha nome
tinha cor tinha cheiro
abria sombras aladas
para voar com as garças

ela viu de tão perto
que o nada é o nada
e que todo o nada
esvazia repleto
transborda tão cheio
de vazios incompletos

wasil sacharuk





sideral

 sideral


poeta alienígena
dos ares facínoras
habita a nuvem
nave mãe coerente
construída para ti
no feixe de espaço
estranho e distante
em que constelas

ele pode
pincelar falsas telas
fazer pouco caso
tripudiar das escolhas
inverter as letras
travar poesia na prosa

talvez só acredite
na finitude das coisas
na tolice das minhas
na doença das tuas
na perplexidade
das todas

sideral iluminado
jaz ao lado
do olho da lua
de máscara turva
sobre a face

wasil sacharuk







amor pimenta

 amor pimenta 🌶️ 

o amor diz coisas
que eu já não entendo
o amor faz coisas
que não sei explicar

o amor adentra
por janelas abertas
o amor sopra vento
rasga raio e tormenta

amor-pimenta
amor-safadeza
das vontades intensas
esse amor clandestino

amor-espinho
amor-singeleza
das coisas pequenas
esse amor-passarinho

o amor sente coisas
que cortam por dentro
o amor tem asas
que me fazem voar

o amor se inventa
por palavras incertas
o amor canta o tempo
feito em música e letra

amor-pimenta
amor-safadeza
das vontades intensas
esse amor clandestino

amor-espinho
amor-singeleza
das coisas pequenas
esse amor-passarinho

wasil sacharuk









SACHARUK - QUID PRO QUO Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - QUID PRO QUO

Há vídeos que não apenas assistimos, mas que sentimos "cortar por dentro". A nova compilação de poesia falada de Wasil Sacharuk é um desses raros momentos de entrega absoluta à palavra.

Em uma performance que transita entre o visceral e o sideral, o poeta Wasil Sacharuk nos convida a mergulhar em uma compilação de spoken word que é, ao mesmo tempo, um abraço e um abismo.  Sacharuk transforma o vídeo em um palco onde o amor, o vazio e a própria existência são dissecados sob a luz da poesia.

O vídeo apresenta uma sequência de poemas que funcionam como estações de uma jornada interior.  A obra culmina em reflexões sobre a ancestralidade e a conexão física, onde o humano se funde ao animal em metáforas de pura paixão.

Navegando entre o amor clandestino e a perplexidade das coisas finitas, o poeta nos lembra que "o amor se inventa por palavras incertas" e que a poesia é a energia que dá nexo à nossa causalidade. Se você busca um refúgio literário que une emoção e técnica de performance, este vídeo é sua próxima parada obrigatória.

"O amor se inventa por palavras incertas. O amor canta o tempo feito em música e letra."

"Todo nada esvazia repleto, transborda tão cheio de vazios incompletos."

"Pois ela é energia precipitada da poesia ou desprendida do sexo com amor e verdade. Então é o nexo da minha causalidade."

"Tuas mãos sem segredos seguram as minhas num dia abençoado pelo sol da poesia."

Vale assistir a esta compilação não apenas pela beleza dos versos, mas pela experiência sensorial da performance. Wasil Sacharuk prova que a poesia falada é uma ponte necessária entre o que sentimos e o que conseguimos, finalmente, dizer. É um conteúdo indispensável para quem busca na literatura um espelho para suas próprias "vontades intensas".

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espere-me

  espere-me


sei que me mostras
o quanto me amas
apesar de tudo

e eu fico mudo
se perdes o tempo
embalando as noites

eu nunca prometo
fazer diferente
do que fiz antes
de detonar o mundo

mas eu perdi o meu senso
numa curva qualquer
da esperança

eu coloquei
a bandeira sobre a porta
ela diz: amor
e diz: espere-me

eu sei que causas
tanta destruição
sempre que me vens

e não há nada
que faça mudar
a ideia maluca
que sempre me consome

e eu nunca prometo
fazer diferente
do que fiz antes
de detonar o mundo

pois eu perdi o meu senso
numa curva qualquer
da esperança

eu coloquei
a bandeira sobre a porta
ela diz: amor
e diz: espere-me

nós somos mares
de marés confusas
sou dos teus males
de mim és musa

espere-me

o quanto me queres
em meio às noites
enquanto me feres
com teus açoites

espere-me

eu coloquei
a bandeira sobre a porta
ela diz: amor
e diz: espere-me

wasil sacharuk