segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

memórias em pó

 memórias em pó 


outrora cheirosa
a roseira sem cor
lentamente suspende 
 fluidos minguantes
derradeiros espinhos 
lanças trágicas 
de haste dura 

sua  última rosa
secou esquálida
o perfeito sacrifício 
desintegra-se impertinente 
 condensada nas páginas 
do velho diário 
abandonado na estante

sem cor
a roseira 
destila o orvalho
que já não molha
memórias em pó
 dos dias (das cores)
que já não voltam

o mudo desvelo 
memórias em pó 
dos aromas perdidos
na esteira dos dias 

murcham as pétalas 
secam as razões 
a natureza  é a solitude 
que contempla a morte
e acalenta a poesia

sem cor
a roseira 
destila o orvalho
que já não molha
memórias em pó
 dos dias (das cores)
que já não voltam

há tempo de florescer 
e outro de perecer
pela linha entre o viço 
e a senilidade dos galhos
destila o orvalho 
que já não molha


wasil sacharuk







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