memórias em pó
outrora cheirosa
a roseira sem cor
lentamente suspende
fluidos minguantes
derradeiros espinhos
lanças trágicas
de haste dura
sua última rosa
secou esquálida
o perfeito sacrifício
desintegra-se impertinente
condensada nas páginas
do velho diário
abandonado na estante
sem cor
a roseira
destila o orvalho
que já não molha
memórias em pó
dos dias (das cores)
que já não voltam
o mudo desvelo
memórias em pó
dos aromas perdidos
na esteira dos dias
murcham as pétalas
secam as razões
a natureza é a solitude
que contempla a morte
e acalenta a poesia
sem cor
a roseira
destila o orvalho
que já não molha
memórias em pó
dos dias (das cores)
que já não voltam
há tempo de florescer
e outro de perecer
pela linha entre o viço
e a senilidade dos galhos
destila o orvalho
que já não molha
wasil sacharuk